Estaleiro Rio Grande retoma construção naval após uma década com foco em 1,7 mil empregos

Estaleiro Rio Grande retoma construção naval após uma década com foco em 1,7 mil empregos

Rio Grande do Sul

O setor naval gaúcho vive um momento de virada histórica. Após quase dez anos de paralisação, o Estaleiro Rio Grande, localizado na região sul do Rio Grande do Sul, iniciou a construção de quatro embarcações do modelo Handymax. O projeto, viabilizado por meio de contratos com a Transpetro, subsidiária da Petrobras, marca o retorno efetivo da cidade ao mapa da indústria pesada brasileira.

O marco do batimento da quilha e a operação atual

A retomada foi oficializada com a cerimônia de batimento da quilha, um rito tradicional que simboliza o início da montagem estrutural de um navio. Atualmente, a operação no estaleiro está focada na fabricação dos blocos de fundo, componentes fundamentais que compõem a base das embarcações, posicionados abaixo dos tanques de lastro.

Segundo Robson Passos, CEO da Ecovix, a empresa responsável pela operação, o ambiente no estaleiro é de otimismo. A estrutura, que esteve inativa para novas construções desde 2016, volta a operar com o objetivo de consolidar a capacidade técnica local e atender à demanda estratégica da estatal petrolífera.

Impacto no mercado de trabalho e inclusão

O efeito imediato da reativação é a geração de postos de trabalho. Nesta primeira fase, 500 profissionais já foram contratados, com a perspectiva de que o quadro de funcionários atinja 1,7 mil postos até 2027. A movimentação traz fôlego novo para a economia de Rio Grande, que historicamente depende da cadeia produtiva naval.

A diversidade também ganha espaço no canteiro de obras. A jatista naval Andréia Xavier Chrysostomo destaca a importância da qualificação feminina no setor. A presença de mulheres em funções operacionais dentro do estaleiro é vista como um passo essencial para o fortalecimento da força de trabalho local e para a modernização das relações laborais na indústria pesada.

Estratégia nacional e perspectivas futuras

Para a Transpetro, a construção dessas embarcações transcende a simples logística. O diretor de transporte marítimo, Jones Soares, ressalta que a iniciativa visa proteger as operações da Petrobras contra a volatilidade dos fretes internacionais e os riscos geopolíticos que afetam o comércio global. O renascimento da indústria naval é tratado como um pilar estratégico para a soberania econômica do país.

Além das quatro unidades em fase inicial, o estaleiro já possui contratos firmados para a montagem de outras nove embarcações. A expectativa é que esse volume de encomendas crie um efeito multiplicador, impulsionando fornecedores e serviços auxiliares na região. O objetivo final é recolocar o município como um polo central da engenharia naval brasileira, conforme aponta o governo federal em suas diretrizes para o setor.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos dessa retomada industrial e os impactos socioeconômicos para o Rio Grande do Sul. Mantenha-se informado com nossa cobertura diária, que prioriza a apuração rigorosa e o compromisso com temas que definem o desenvolvimento do nosso estado.

Fonte: g1.globo.com