Estudo revela que regeneração natural reduz impacto de espécies invasoras

Estudo revela que regeneração natural reduz impacto de espécies invasoras

Geral

Um levantamento internacional envolvendo cerca de 60 instituições aponta que o domínio inicial de espécies exóticas em ecossistemas em recuperação tende a ser passageiro. Publicado na revista científica Nature Plants, o trabalho demonstra que essas plantas se multiplicam com facilidade nos primeiros 10 a 20 anos em terrenos abertos, mas perdem força à medida que as árvores nativas crescem e fecham o dossel da floresta.

O projeto foi liderado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). O objetivo principal foi compreender o comportamento de espécies exóticas ao longo dos anos em matas úmidas e secas das Américas, analisando dados de mais de 1,5 mil áreas em processo de regeneração.

O comportamento das exóticas nas florestas

Os dados coletados indicam que a interferência dessas plantas é mais marcante nas matas úmidas. Nesses locais, durante as duas primeiras décadas, as árvores exóticas chegaram a representar 28% dos troncos e 22% do total de espécies. Nas florestas secas, por outro lado, o patamar foi bem menor, atingindo 9% em ambos os indicadores.

Apesar da preocupação inicial com a alteração de processos ecológicos e redes tróficas, a equipe observou que a diversidade e a quantidade de indivíduos não nativos sofrem uma queda considerable após o pico inicial. Esse recuo acontece porque muitas dessas árvores compartilham características com as espécies pioneiras nativas, necessitando de luz abundante para crescer rapidamente.

Disputa por espaço e o papel da sombra

No início do processo de regeneração, exóticas e nativas disputam os recursos disponíveis em áreas de pastagens abandonadas. No entanto, com o passar dos anos, as árvores nativas de crescimento lento germinam na sombra, ganham altura e passam a dominar a paisagem.

Conforme a mata se fecha, o ambiente deixa de ser propício para as espécies oportunistas que dependem de sol pleno. Com isso, elas passam a se manter apenas em baixas densidades, permitindo que o ecossistema original recupere seu equilíbrio estrutural e biológico de forma gradual.

Metodologia e abrangência da pesquisa

Para contornar o longo período necessário para o crescimento de uma floresta, a equipe adotou a estratégia de analisar trechos com idades diferentes em uma mesma região, indo desde áreas recém-abandonadas até florestas secundárias mais maduras. O monitoramento abrangeu 1.561 trechos distribuídos em dez países neotropicais.

Entre as áreas avaliadas, o estudo contabilizou diversas espécies não nativas em proporções expressivas, como a leucena na Colômbia e o cajueiro-japonês no Brasil. O trabalho contou com apoio de fomento à pesquisa e cooperação internacional, reforçando a importância de manter paisagens intactas como solução natural para o controle ambiental.

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Fonte: canalrural.com.br