O excesso de chuva e a escassez de dias ensolarados no Rio Grande do Sul provocaram perdas superiores a 30% na produção estadual de hortigranjeiros. Com a expressiva quebra na safra local, os estabelecimentos comerciais precisam buscar mercadorias em outras regiões do país, elevando os custos de frete, reduzindo a oferta disponível e encarecendo drasticamente os produtos para o consumidor final.
Na região central do estado, em Santa Maria, canteiros que deveriam estar repletos de vegetais prontos para a colheita acumulam prejuízos generalizados. Dados da Emater indicam que, apenas nesse território, os danos às lavouras alcançam a marca de 40% para os produtores locais.
Prejuízos acumulados nas lavouras gaúchas
Nas propriedades rurais, o cenário é de forte preocupação com o apodrecimento da vegetação e o atraso no desenvolvimento das culturas. O excesso de água compromete a consistência da terra, impedindo o manejo adequado e travando o ciclo de crescimento dos alimentos.
O produtor rural Milton Cauzzo relatou que milhares de pés de alface que resistiram à umidade excessiva começaram a apresentar manchas nas folhas. Outras culturas, como pimentões e berinjelas, sequer conseguiram brotar devido à combinação de solo encharcado e ausência de radiação solar adequada.
Doenças e dificuldades no manejo agrícola
Além das perdas diretas nas safras, a umidade prolongada deteriora a qualidade do solo e estimula o surgimento de patógenos nas plantações. O extensionista da Emater, Leonardo Brondani, alertou que o problema atinge diferentes segmentos produtivos.
Áreas destinadas ao cultivo de melancia sofreram perdas expressivas ainda durante o mês de setembro, comprometendo o calendário agrícola. Mesmo em cultivos abrigados em estufas, a umidade elevada favoreceu o aparecimento de doenças em plantações de morango, elevando o risco de escassez no fornecimento.
Impacto no abastecimento e alta nos preços
A retração na produtividade do campo repercute de maneira imediata nas prateleiras dos supermercados, exigindo esforço logístico para manter o abastecimento. O vice-presidente da Agas, Eduardo Stangherlin, destacou que os produtos chegam com qualidade inferior e precisam ser trazidos de estados distantes, como São Paulo e Goiás.
Levantamentos das Ceasa apontam elevação expressiva nas cotações dos principais hortigranjeiros comercializados no estado. O tomate longa vida registrou uma das maiores variações registradas no período, saltando de R$ 4 para R$ 11,50 o quilo, o que representa um acréscimo de 187,5% no custo repassado ao consumidor.
Orçamento doméstico pressionado pela inflação dos alimentos
O encarecimento dos itens básicos de alimentação compromete o orçamento das famílias, que precisam redobrar o controle financeiro nas compras cotidianas. A técnica em secretariado Sandra Mariani destacou que a soma dos pequenos reajustes pesa de forma significativa no fechamento das contas mensais.
Consumidores relatam dificuldades para encontrar alternativas viáveis para a tradicional salada verde. Enquanto em outros momentos de alta era possível substituir tubérculos e raízes, a escassez generalizada de folhas frescas restringe as opções disponíveis para o preparo das refeições diárias.

