Os investidores que aguardam um rali eleitoral na bolsa brasileira podem precisar ajustar suas expectativas. De acordo com um relatório do JP Morgan divulgado recentemente, o tradicional aumento no mercado de ações durante o período eleitoral pode não ocorrer em 2026. Isso porque a reação dos investidores às eleições que se aproximam quebrou o padrão histórico de queda acentuada nos meses anteriores à votação.
Por que o rali pode não acontecer?
Historicamente, quanto mais significativa a queda nos meses que antecedem as eleições, maior é a valorização esperada durante o período eleitoral. No entanto, sem essas perdas iniciais, o potencial para um aumento expressivo em outubro é reduzido. O JP Morgan destaca que esta performance atípica da bolsa brasileira antes das eleições é incomum, já que o país geralmente não registra resultados positivos nesse período.
Um cenário semelhante ocorreu em 2014, quando a corrida presidencial entre Dilma Rousseff e Aécio Neves não resultou em perdas significativas antes das eleições, mas ainda assim houve um rali modesto em outubro daquele ano.
O gatilho para o rali pós-eleitoral
As eleições de 2026 apresentam uma diferença crucial em relação a 2014: a possibilidade de mudança de governo. As pesquisas indicam um empate entre o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e o candidato Flávio Bolsonaro. Plataformas de previsão de mercado sugerem uma ligeira vantagem para a oposição, com 55% de chance de vitória contra 45% de reeleição de Lula.
Para o JP Morgan, um cenário de mudança de governo, acompanhado de uma política fiscal mais disciplinada, poderia desencadear um rali significativo na bolsa. A valorização também pode ocorrer se o Senado adotar um perfil mais conservador e a oposição ganhar vantagem expressiva.
Impacto das eleições nas empresas
Apesar dos possíveis gatilhos para a bolsa, o JP Morgan observa que para muitas empresas, o impacto das eleições no desempenho é limitado. Os analistas destacam que os gatilhos operacionais dessas empresas são mais influentes. Entre as empresas que devem se destacar, independentemente do resultado eleitoral, estão:
- Suzano: com forte geração de caixa e receitas em dólar.
- MBRF: beneficiada pelas dinâmicas do ciclo global de carnes e demanda externa.
- Banco do Brasil: oferece um perfil de risco/retorno mais atrativo.
- Vale: destaca-se pelo balanço desalavancado e caixa em dólar.
- Braskem: recomendada para compra em títulos específicos.
Possíveis desdobramentos econômicos
O JP Morgan estima que, em um cenário de mudança de gestão e ajuste fiscal crível, o potencial de alta para as ações brasileiras pode chegar a 22%. Se houver reformas profundas e uma redução dos juros para um nível neutro, esse potencial pode atingir 50%. No entanto, se o governo atual permanecer e o país enfrentar uma crise fiscal, a bolsa pode recuar entre 7% e 21%.
Para que um ciclo de alta se concretize, é necessário aguardar o anúncio da equipe econômica e a definição de metas fiscais claras. Além disso, a construção de governabilidade no Congresso para aprovar a agenda do novo governo é crucial.
Continue acompanhando o ConexRS para mais informações sobre o cenário econômico e político do Brasil.
Fonte: seudinheiro.com
