Famílias de detentos no Brasil enfrentam custos altíssimos de visitas Estudo revela que famílias gastam bilhões com visitas a presos no Brasil, impactando sua saúde e finanças. Um recente estudo apontou que as famílias de detentos no Brasil arcam com despesas exorbitantes em visitas, que chegam a representar 70% de um salário mínimo mensal. Esses custos totais anualizados somam impressionantes R$ 4,33 bilhões, conforme a pesquisa “A pena sem sentença: famílias, gênero e a expansão silenciosa do poder punitivo”, divulgada pela Pastoral Carcerária Nacional e a Assessoria Popular Maria Felipa.
Impacto financeiro nas famílias
As famílias, especialmente as mulheres, são as principais responsáveis por esses gastos, que incluem itens básicos de higiene e alimentação que deveriam ser fornecidos pelo Estado. A pesquisa revelou que 94,1% dos visitantes são mulheres, predominando esposas, mães e outras figuras femininas. Mais da metade dos visitantes gasta mais de R$ 200 em cada visita, o que se torna um ônus financeiro significativo.
Perfil dos visitantes
A maioria dos visitantes é composta por pessoas pretas ou pardas, com idades entre 25 e 34 anos e com ensino médio completo. O estudo aponta para uma “feminização e racialização do trabalho social”, mostrando que as mulheres, muitas vezes marginalizadas no mercado de trabalho, suportam a carga financeira associada às visitas.
Despesas elevadas com visitas
Os valores gastos em cada visita incluem transporte e alimentação, além do custo médio de R$ 263,67 para um kit de alimentos e itens de higiene que duram duas semanas. Assim, o custo das visitas quinzenais pode alcançar R$ 624,80, enquanto as visitas semanais podem custar até R$ 1.053,90, comprometendo uma parte significativa da renda familiar.
Desafios adicionais para os visitantes
Além das despesas, os visitantes enfrentam desafios como a falta de itens básicos nas prisões e a violência institucional. Cerca de 58,9% dos entrevistados relataram já ter sofrido constrangimentos, como revistas íntimas. As exigências burocráticas para visitas também podem ser um obstáculo, com cadastros que levam meses e a necessidade de comprovação de vínculos familiares com documentos caros.
A saúde dos familiares em risco
A pressão financeira e emocional sobre as famílias resulta em um impacto negativo na saúde dos visitantes. Aproximadamente 90,1% relataram que suas condições de saúde pioraram devido ao estresse causado por essas situações. A advogada e pesquisadora Fernanda Oliveira destacou que a angústia e o adoecimento mental são comuns, especialmente entre as mulheres, que se sentem responsáveis pelo cuidado dos detentos.
Auxílio-reclusão e suas limitações
Um possível recurso para aliviar essa carga financeira é o auxílio-reclusão, que, no entanto, só é acessível a uma pequena fração das famílias, já que apenas 2,47% conseguem se qualificar. Essa situação é agravada pela alta taxa de informalidade no mercado de trabalho, dificultando o acesso a benefícios sociais.
Desafios estruturais do sistema prisional
O estudo também aponta falhas estruturais no sistema prisional, como superlotação e condições inadequadas, que afetam tanto os detentos quanto suas famílias. A coordenadora da Pastoral Carcerária, irmã Petra Silvia Pfaller, lamentou que a violência policial e as torturas se intensificaram ao longo dos anos, e que a distância das unidades prisionais em relação às famílias aumenta os custos e as dificuldades financeiras. Em conclusão, a situação das famílias de detentos no Brasil é marcada por um ciclo de encargos financeiros e emocionais, que agravam as desigualdades sociais e dificultam a reintegração dos egressos à sociedade. O sistema prisional não apenas transfere responsabilidades para as famílias, mas também perpetua um ciclo de marginalização e exclusão.
