Flávio Bolsonaro associa boatos sobre Nossa Senhora Aparecida ao atentado contra o pai em 2018

Flávio Bolsonaro associa boatos sobre Nossa Senhora Aparecida ao atentado contra o pai em 2018

Política

O embate religioso e a estratégia de campanha

O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou uma entrevista ao podcast católico SantoFlow, realizada nesta segunda-feira (28), para rebater as informações que circulam nas redes sociais sobre uma suposta intenção de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O senador classificou os boatos como “mentirada” e buscou desvincular sua imagem de qualquer proposta que altere o status religioso da santa.

Para ilustrar a gravidade do que considera uma campanha de desinformação, o parlamentar traçou um paralelo direto com o atentado sofrido por seu pai, Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018. “Eu tenho convicção de que tentaram matar meu pai porque viram que ele já era presidente do Brasil em 2018. Por isso foram para tentar eliminá-lo. Foi aquela facada em Juiz de Fora. Eu posso considerar também uma espécie de facada essa fake news em mim”, afirmou.

A origem da polêmica e o contexto político

A controvérsia ganhou força após uma declaração do próprio Flávio Bolsonaro em 23 de agosto. Na ocasião, ao justificar sua ausência no debate da TV Bandeirantes, o candidato afirmou que “um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A frase foi interpretada por críticos e parte do eleitorado como um “apito de cachorro”, uma mensagem cifrada voltada ao público evangélico que teria gerado receio entre católicos sobre a laicidade do Estado.

Diante da repercussão negativa, a campanha do PL acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar conter a propagação do conteúdo. Durante a conversa no podcast, o senador reforçou que o Estado não deve interferir na fé dos cidadãos e que seu objetivo é “colocar o Brasil no caminho da prosperidade respeitando a fé de todo mundo”.

Defesa da liberdade religiosa e papel das igrejas

Além de negar as acusações, Flávio Bolsonaro aproveitou o espaço para reiterar sua defesa pela isenção tributária das igrejas. Segundo o candidato, o trabalho social desempenhado por essas instituições é “impagável” e fundamental para a recuperação de detentos. “Grande parte das vezes é a igreja que tira a pessoa daquela situação que ela está”, pontuou.

O senador também destacou a importância da deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) em um eventual governo. Autora da lei que institui o Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria, a parlamentar foi mencionada como uma figura de peso para dialogar com o eleitorado católico. Em um momento de maior pessoalidade, Flávio Bolsonaro emocionou-se ao relembrar sua conversão ao evangelismo em 2022, ao lado de sua esposa, Fernanda Bolsonaro.

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Fonte: redir.folha.com.br