FMI revisa projeções e aponta desaceleração econômica na América Latina

FMI revisa projeções e aponta desaceleração econômica na América Latina

Mundo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as perspectivas de crescimento para a América Latina e o Caribe. Em seu relatório mais recente, o documento Perspectiva Econômica Global, a instituição aponta que a região enfrenta dificuldades para capitalizar sobre o avanço da inteligência artificial, tecnologia que tem servido de motor para outras economias globais diante dos desafios energéticos atuais.

O cenário regional contrasta com a leve melhora na previsão de crescimento mundial, que subiu de 3% para 3,1%. Enquanto o mundo tenta se adaptar ao redirecionamento de suprimentos de energia e aos investimentos em tecnologia, a América Latina lida com os reflexos diretos de um choque inflacionário persistente e custos de financiamento elevados.

Impacto do choque energético e a estagnação tecnológica

A guerra no Oriente Médio consolidou-se como um fator de pressão inflacionária global, elevando o preço do petróleo Brent em cerca de 45% acima dos patamares anteriores ao conflito. Esse aumento nos custos de energia impacta diretamente o poder de compra das famílias e a viabilidade operacional das empresas, forçando bancos centrais ao redor do mundo a manterem políticas monetárias restritivas.

Segundo o FMI, a capacidade de resistência dos países latino-americanos depende de um equilíbrio delicado entre as receitas obtidas pela exportação de commodities e a vulnerabilidade dos importadores de energia. Contudo, o relatório destaca um ponto crítico: a falta de integração efetiva com a nova onda de inovação tecnológica. A maioria das nações da região apresenta pouca compensação econômica vinda do setor de tecnologia, o que limita o potencial de recuperação frente ao cenário adverso.

Desempenho das principais economias da região

As projeções para o Brasil sofreram ajustes negativos, com a expectativa de crescimento caindo para 2,2% neste ano e 1,9% para 2027. O Fundo justifica a revisão citando a necessidade de manter condições monetárias restritivas para o controle da inflação, além da retirada gradual de estímulos fiscais e a persistente incerteza no mercado global.

A Argentina enfrenta um dos cenários mais desafiadores, com uma redução acentuada em sua estimativa de produção. O FMI espera que o crescimento do país desacelere para 2,1% neste ano, um recuo significativo em relação aos 4,5% registrados em 2025. Em contrapartida, a inflação argentina, embora ainda elevada, apresenta sinais de queda, com projeção de 32,5% para o período.

O México, por outro lado, apresentou uma trajetória distinta. A previsão de crescimento para 2026 foi elevada de 1,2% para 1,5%, impulsionada pelo setor exportador e pela inserção em cadeias de suprimentos ligadas à inteligência artificial. Ainda assim, o país não está imune às incertezas comerciais que freiam a atividade econômica global.

Riscos e perspectivas para o futuro

O relatório do FMI reforça que os riscos para a economia regional permanecem inclinados para o lado negativo. A turbulência nos mercados financeiros internacionais pode elevar os custos da dívida pública, pressionar as moedas locais e restringir ainda mais o crédito interno.

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Para mais detalhes sobre as projeções, acesse o relatório oficial do FMI.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br