Fusão entre Yduqs e Afya pode impulsionar lucros e atrair investidores, aponta Itaú BBA

Fusão entre Yduqs e Afya pode impulsionar lucros e atrair investidores, aponta Itaú BBA

Economia

O mercado de educação superior brasileiro observa com atenção os desdobramentos de uma possível fusão entre a Yduqs (YDUQ3) e a Afya (Nasdaq: AFYA). A união, caso concretizada, tem o potencial de formar uma gigante focada no ensino de medicina, alterando a dinâmica competitiva do setor e atraindo o olhar de analistas financeiros sobre o valor das ações envolvidas.

Segundo análise recente do Itaú BBA, a combinação de negócios poderia gerar ganhos financeiros expressivos através da otimização de custos. O banco projeta que a integração das operações permitiria um corte de cerca de 20% nas despesas gerais e administrativas (G&A), resultando em uma economia anual estimada em R$ 338 milhões. Mesmo após considerar um impacto tributário de R$ 80 milhões, o benefício líquido anual seria de aproximadamente R$ 258 milhões.

Sinergias e o impacto na avaliação da Yduqs

A projeção do Itaú BBA indica que, com a captura dessas sinergias, o lucro contábil da Yduqs poderia saltar para R$ 790 milhões em 2027, superando a estimativa anterior de R$ 532 milhões. Esse incremento no resultado final tornaria o papel mais atrativo, com o múltiplo preço/lucro (P/L) caindo para a faixa de 3 a 4 vezes, um patamar considerado barato frente à média atual do mercado, que oscila entre 4 e 5 vezes.

A força dessa união reside, principalmente, na escala alcançada no ensino médico. Juntas, as companhias somariam mais de 6.500 vagas anuais autorizadas para cursos de medicina. A Afya detém 10,5% das novas vagas do país, enquanto a Yduqs responde por 5%. A complementaridade é vista como um trunfo, já que a Afya possui uma presença forte em campi maiores, enquanto a Yduqs mantém um portfólio diversificado com marcas como Estácio, Ibmec, Idomed, Wyden e Damásio.

O desafio regulatório e o histórico do setor

Apesar do otimismo financeiro, o setor de educação carrega cicatrizes de tentativas frustradas de consolidação. O caso mais emblemático ocorreu em 2017, quando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) barrou a fusão entre a Kroton (atual Cogna) e a Estácio, por receio de formação de um monopólio no ensino superior privado.

O Itaú BBA avalia que, no caso de uma eventual união entre Yduqs e Afya, a sobreposição geográfica seria menor do que em episódios passados. O banco identificou apenas três cidades onde ambos os grupos possuem unidades. Contudo, a análise de um raio de 50 km aponta uma concentração de mercado superior a 50% em regiões como a Grande Rio de Janeiro, Teresina (PI) e Ji-Paraná (RO). Nesses casos, o Cade poderia exigir a venda de ativos específicos como condição para aprovar a operação, em vez de vetá-la integralmente.

Recomendação e perspectivas para o investidor

O Itaú BBA mantém recomendação de outperform — equivalente a compra — para ambos os papéis, sinalizando que espera um desempenho superior à média do setor. Com a rolagem dos preços-alvo para o final de 2027, o banco estipula R$ 16 para a Yduqs, o que representa um potencial de valorização de 50,9%. Para a Afya, o preço-alvo é de US$ 18, implicando uma alta de 32,4%.

O cenário permanece em aberto, dependendo das movimentações estratégicas das companhias e do escrutínio dos órgãos reguladores. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras movimentações que impactam o seu bolso, continue acompanhando o ConexRS. Nosso compromisso é levar até você uma análise aprofundada, contextualizada e imparcial sobre os fatos que movem a economia e o mercado financeiro nacional.

Fonte: seudinheiro.com