Genética e manejo de precisão elevam produtividade em canaviais brasileiros

Genética e manejo de precisão elevam produtividade em canaviais brasileiros

Agro

O setor sucroenergético brasileiro vive uma transformação impulsionada pela convergência entre melhoramento genético e inteligência de dados. Em um cenário marcado por eventos climáticos extremos e pela necessidade constante de otimização de custos, a estratégia de elevar a produtividade por hectare tornou-se o pilar central para garantir a rentabilidade das usinas e produtores rurais.

O tema foi o centro das discussões durante o 20º Grande Encontro sobre Variedades de Cana-de-Açúcar & Novas Técnicas de Fertilização, realizado nos dias 2 e 3 de setembro, em Ribeirão Preto (SP). O evento reuniu especialistas do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e da Atvos para debater como a tecnologia pode mitigar riscos e maximizar o potencial das lavouras.

A ciência de dados no melhoramento genético

A genética, embora fundamental, deixou de ser uma solução isolada. Segundo o CTC, o uso de inteligência artificial e ciência de dados no processo de seleção varietal elevou o ganho genético anual de 0,4% para 3,3%. Esse salto tecnológico permitiu o desenvolvimento de materiais mais robustos e adaptados a diferentes ambientes de produção.

Um exemplo prático dessa evolução é a variedade CTCAdvana1. Lançada em 2025, a cultivar conquistou mais de 260 clientes em seu primeiro ano de mercado. Os dados apresentados indicam um desempenho superior, com 95% de vitórias em comparativos, um ganho de 2,1 toneladas de açúcar por hectare (TAH) e uma produtividade 16% maior do que os padrões de referência do mercado.

Planejamento varietal como estratégia de negócio

Para a Atvos, a tecnologia deve estar integrada a um planejamento rigoroso, batizado como Plano Diretor. A empresa estabeleceu metas ambiciosas para 2031, incluindo um aumento de 17% na produção de açúcar por hectare e de 16,6% na produtividade agrícola (TCH). Para atingir esses números, a companhia aposta na diversificação varietal para reduzir a exposição a riscos fitossanitários e climáticos.

A ferramenta central nessa estratégia é o chamado Censo Ideal. Trata-se de um sistema que cruza o histórico de variedades com as características específicas de cada ambiente de produção. O objetivo é transformar o planejamento em um processo contínuo de monitoramento e ajuste, garantindo que a escolha da cultivar seja sempre a mais assertiva para cada talhão.

Resiliência diante das mudanças climáticas

O setor sucroenergético enfrenta o desafio de produzir mais em um ambiente cada vez mais instável. A integração entre biotecnologia e suporte técnico tem se mostrado a via mais eficaz para converter o potencial genético em resultados reais no campo. Como ressaltado por especialistas, a escolha da variedade é apenas o primeiro passo; a execução técnica e o manejo adequado são o que sustentam a produtividade a longo prazo.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br