A hamburgueria Thanks, situada em Campinas, interior de São Paulo, passou por uma transformação significativa desde sua fundação em 2017. Inicialmente, a operação era predominantemente voltada para o delivery, que respondia por cerca de 75% do faturamento. No entanto, essa dependência começou a se tornar um desafio, levando o fundador Lucas Pereira a repensar o modelo de negócios.
Nos primeiros anos, a Thanks experimentou um crescimento acelerado através de aplicativos de entrega, mas a lucratividade era baixa, em torno de 8%. O alto custo do aluguel, que chegava a R$ 15 mil, e a escassez de clientes no salão físico contribuíram para essa situação. “Os clientes preferiam o delivery devido à comodidade, e isso impactou negativamente nosso retorno financeiro”, explicou Pereira durante o evento iFood Move 2026.
Em 2024, insatisfeito com os resultados, Pereira decidiu investir na estrutura física da hamburgueria ao invés de optar por um modelo de dark kitchen. Essa decisão se mostrou acertada, resultando em um crescimento de 147% no faturamento entre agosto de 2024 e agosto de 2026.
O primeiro passo foi uma reforma
A primeira ação foi uma reforma abrangente do espaço. Pereira investiu em arquitetura, mobília e até na criação de um espaço kids, além de melhorias no estacionamento. Embora não tenha revelado o custo total da reforma, ele mencionou que apenas a reforma do banheiro custou R$ 100 mil. O salão agora acomoda 140 pessoas e foi projetado para ser um local agradável e convidativo.
Além das melhorias físicas, a hamburgueria implementou três frentes de ação: atração de novos clientes, aumento do tíquete médio e maior frequência de visitas.
Como aumentar a recorrência no restaurante
Aumentar a recorrência de clientes é um desafio que varia conforme o tipo de restaurante. Pereira sugere duas estratégias que a Thanks adotou e que podem ser replicadas por outros estabelecimentos. A primeira é o conceito de founder led growth, onde o fundador ou um embaixador da marca se torna a face do negócio. Isso cria uma conexão emocional com os clientes, que se sentem mais próximos da marca.
A segunda estratégia envolve lançamentos de produtos com prazo limitado, como combos especiais disponíveis por apenas 30 dias. Essa tática gera uma sensação de escassez, incentivando os clientes a visitar o restaurante para experimentar as novidades.
Estratégia de crescimento com tíquete médio mais alto
Para elevar o tíquete médio, Pereira implementou três iniciativas. A primeira foi a introdução de tablets nas mesas, que permitem a apresentação de fotos, promoções e sugestões de produtos. Essa tecnologia facilita a adaptação do cardápio em tempo real e incentiva os clientes a escolherem itens adicionais.
Além disso, os garçons foram treinados para recomendar produtos mais caros, como entradas e bebidas, ao invés de depender apenas de combos. Essa abordagem resultou em um aumento de até 30% no tíquete médio.
Pereira também sugere a criação de pratos autorais e inovadores, que permitem preços mais altos e margens de lucro maiores, evitando a competição por preço com outros estabelecimentos.
O terceiro ingrediente: mais clientes
Para atrair mais clientes, a Thanks investiu em tráfego pago. Pereira destaca a importância de campanhas que possam ser metrificadas. Uma das ações consistiu em oferecer um combo promocional que exigia cadastro online para resgatar o cupom na loja.
Outra estratégia foi direcionada a aniversariantes, oferecendo R$ 100 em consumo com a condição de que o aniversariante gastasse um valor similar. Essa abordagem atraiu novos clientes, mesmo aqueles que não costumam celebrar o aniversário com grandes grupos.
Além disso, a hamburgueria utilizou influenciadores digitais de Campinas para promover o local, gerando conteúdo e aumentando a visibilidade. Um exemplo de sucesso foi a criação de um bolo de chocolate inspirado no filme Matilda, que rapidamente se tornou viral e atraiu novos clientes.
Os resultados das iniciativas
As novas estratégias tiveram um impacto significativo no faturamento da Thanks. Em 2024, a receita do salão representava cerca de 25% do total; em agosto de 2026, esse número subiu para 53%. Isso significa que o restaurante físico agora gera mais receita do que o delivery, embora este último tenha mantido sua demanda.
O tíquete médio também cresceu, passando de R$ 81,27 em 2024 para R$ 122,78 em 2026. Apesar do sucesso, Pereira enfrentou desafios com o aumento do volume de pedidos, que causou atrasos na operação. A solução foi identificar e resolver os gargalos, especialmente na etapa de montagem dos pedidos durante os fins de semana.
Essas mudanças estruturais e estratégicas mostram que, com inovação e adaptação, é possível transformar um negócio e alcançar resultados expressivos, mesmo em um mercado competitivo como o de alimentação.
Fonte: seudinheiro.com
