Repercussão negativa e recuo do grupo ugandense
O grupo Hypers Kids Africa, coletivo de dança e entretenimento sediado em Uganda que acumula mais de 12,9 milhões de seguidores no Instagram, anunciou que devolverá os 120 milhões de tokens $B22 recebidos após a publicação de um vídeo em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi motivada pela intensa reação negativa de seus seguidores e pela exposição a um cenário político que, segundo os integrantes, não condiz com a proposta do projeto.
Em comunicado enviado à BBC News Brasil, o grupo esclareceu que a aceitação dos ativos digitais — avaliados pelos próprios responsáveis em cerca de US$ 20 mil — tinha como objetivo exclusivo a captação de recursos para a finalização da construção de uma casa para as crianças atendidas pelo projeto. A iniciativa, contudo, gerou críticas imediatas, levando o grupo a se distanciar do debate eleitoral brasileiro.
A polêmica em torno do Brasil 22 Token
O vídeo, que alcançou mais de 3,5 milhões de visualizações, mostrava crianças dançando vestidas com camisetas amarelas ao som de um jingle que incentivava o voto no número 22. A postagem marcava perfis de figuras políticas como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o influenciador Pablo Marçal, além do próprio candidato ao Senado, Flávio Bolsonaro.
A iniciativa Brasil 22 Token, lançada em 6 de outubro, apresentava o grupo ugandense como “parceiro oficial”. O caso levantou questionamentos sobre a utilização de influenciadores estrangeiros em campanhas eleitorais brasileiras e a natureza das transações envolvendo criptoativos em contextos políticos. Até o momento, o grupo não detalhou os trâmites logísticos para a devolução dos ativos, nem esclareceu quem intermediou a negociação da parceria.
Foco na missão social e distanciamento da política
Ao justificar o recuo, os integrantes do Hypers Kids Africa enfatizaram que a intenção original era puramente assistencial. “Estamos aqui para dançar e fazer as pessoas felizes, não para política. Não sabíamos que as pessoas não iam gostar”, afirmaram em nota. O grupo reiterou o carinho pelo público brasileiro, mas reforçou que não pretende se envolver em disputas partidárias, movimento que, segundo eles, gerou um desconforto incompatível com a imagem que buscam projetar.
O episódio ilustra os desafios enfrentados por organizações sociais ao navegarem por parcerias digitais em um ambiente de alta polarização. Enquanto o grupo busca retomar sua rotina de conteúdos voltados ao entretenimento, o caso permanece como um exemplo de como a economia dos criptoativos pode se cruzar com estratégias de marketing político, gerando impactos diretos na reputação de figuras públicas e organizações internacionais.
O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos deste caso e os impactos das novas tecnologias na comunicação política. Para manter-se informado com notícias apuradas e uma análise contextualizada dos fatos que movimentam o Brasil e o mundo, continue acompanhando nosso portal.
Fonte: redir.folha.com.br

