Indústria de carne brasileira reage a prazo de dois anos para exportação à União Europeia

Indústria de carne brasileira reage a prazo de dois anos para exportação à União Europeia

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O setor de proteína animal no Brasil manifestou forte descontentamento com as recentes sinalizações vindas do mercado europeu. Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), classificou como inaceitável a estimativa de que o país precisaria aguardar um período de dois anos para retomar o fluxo pleno de exportações de carne bovina para a União Europeia.

Exigências sanitárias e o desafio da rastreabilidade

A tensão diplomática e comercial ganhou corpo após declarações de Eric Tevenar, chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia. Em setembro, durante audiência na Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, Tevenar defendeu que o prazo de dois anos é indispensável para assegurar a rastreabilidade integral do ciclo de vida dos animais. O bloco europeu exige garantias rigorosas de que não houve utilização de antimicrobianos durante todo o período de criação dos bovinos.

Para a indústria brasileira, o tempo estipulado pelo bloco europeu ignora os avanços tecnológicos e os protocolos de controle sanitário já implementados em território nacional. O setor argumenta que a exigência de um ciclo completo de dois anos impõe uma barreira comercial desproporcional, dificultando a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

Possibilidade de retaliação comercial

Diante do impasse, o tom das lideranças do agronegócio subiu. Roberto Perosa sugeriu que o Brasil considere medidas de reciprocidade, incluindo a possibilidade de suspender importações de produtos europeus. O foco de uma eventual retaliação estaria em itens de alto valor agregado vindos da Europa, como azeites e queijos franceses, caso as negociações não avancem para um prazo mais curto.

A preocupação do setor também é alimentada pelo desempenho de vizinhos regionais. Enquanto o Brasil enfrenta restrições, a Argentina registrou um crescimento de 21% no valor de suas exportações agrícolas para o bloco europeu logo após a entrada em vigor do acordo comercial com o Mercosul, evidenciando uma disparidade de tratamento que gera desconforto entre os produtores brasileiros.

Cenário de negociações e perspectivas

O governo brasileiro mantém o diálogo aberto. Recentemente, ministros de Estado realizaram reuniões com o comissário da Comissão Europeia para tratar da pauta comercial, que abrange não apenas a carne bovina, mas também outros produtos como o melão. Embora a União Europeia tenha validado relatórios de controle para as cadeias de carne de frango e mel, a burocracia administrativa ainda trava a retomada efetiva das exportações.

A resolução deste conflito é considerada estratégica para a balança comercial brasileira. O Ministério da Agricultura e Pecuária continua monitorando as exigências técnicas para evitar que o setor agroexportador sofra prejuízos prolongados. O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos desta negociação, trazendo análises sobre o impacto do agronegócio na economia nacional e os bastidores das relações comerciais entre Brasil e União Europeia.

Fonte: canalrural.com.br