A capacidade instalada para o processamento de soja no Brasil registrou um salto expressivo em 2026, atingindo a marca de 86,4 milhões de toneladas por ano. O crescimento de 13,1% em relação ao período anterior reflete um movimento estratégico do setor para atender à demanda crescente por derivados da oleaginosa, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Os dados, consolidados pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), evidenciam um cenário de otimismo e modernização industrial.
Investimentos bilionários impulsionam o setor
Além da ampliação da capacidade produtiva, o setor mapeou um volume robusto de R$ 7,65 bilhões em investimentos destinados à construção de novas unidades e à modernização de plantas já existentes. A expectativa é que esses projetos, com cronograma de implementação previsto para os próximos 12 meses, adicionem 7,4 milhões de toneladas anuais à capacidade de industrialização do país.
Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, destaca que o aporte financeiro não apenas amplia o volume, mas eleva a eficiência produtiva. A modernização das estruturas é vista como um passo fundamental para manter a competitividade brasileira no cenário global, além de gerar impactos positivos na economia regional, com a criação de empregos e o fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Demanda por biodiesel e ração sustenta o crescimento
O aquecimento da indústria de esmagamento está diretamente atrelado à versatilidade do farelo e do óleo de soja. O óleo, em particular, consolidou-se como a principal matéria-prima para a produção de biodiesel no Brasil, conectando o agronegócio à agenda de transição energética e combustíveis renováveis. Paralelamente, o farelo de soja mantém sua relevância histórica como insumo essencial para a fabricação de rações, sustentando a robusta cadeia de proteínas animais do país.
Embora a capacidade instalada de 86,4 milhões de toneladas seja o teto potencial, a projeção de processamento efetivo para 2026 é de 63,5 milhões de toneladas. Este volume, caso se concretize, representará um recorde histórico, demonstrando que a infraestrutura industrial está se expandindo em sintonia com o crescimento da produção agrícola nacional.
Concentração regional e infraestrutura industrial
O mapeamento da Abiove também revela mudanças na configuração do parque industrial brasileiro. O número de unidades ativas saltou de 131 para 148, enquanto o índice de plantas paradas foi reduzido pela metade, caindo de 12 para seis unidades. Esse movimento indica uma retomada operacional e uma otimização dos ativos existentes.
Geograficamente, o Centro-Oeste mantém sua hegemonia, concentrando 42,9% da capacidade nacional de processamento. O Mato Grosso, protagonista na produção de grãos, lidera o ranking estadual com 21,6% da capacidade total, consolidando-se como o principal polo de industrialização da soja no Brasil. Esses dados reforçam a importância logística da região para o escoamento e a transformação da matéria-prima.
O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos do setor agroindustrial, trazendo análises sobre o impacto desses investimentos na economia brasileira. Continue conectado ao nosso portal para conferir as atualizações mais relevantes sobre o mercado, tecnologia e as tendências que moldam o futuro do agronegócio no país.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br

