Investigações apontam elo entre filme Dark Horse e esquema de caixa 2

Investigações apontam elo entre filme Dark Horse e esquema de caixa 2

Política

Conexões financeiras e o papel do Banco Master

Novas evidências trazidas a público sugerem que a produção do filme Dark Horse pode ter servido como um mecanismo de caixa 2 para financiar o que analistas descrevem como um “tarifaço”. A operação estaria ligada a movimentações financeiras de Daniel Vorcaro, que teria destinado recursos vultosos para a viabilização do longa-metragem. Até pouco tempo antes das revelações, os esforços de captação de recursos para o projeto enfrentavam dificuldades significativas, conforme apontado por reportagens recentes.

Documentos obtidos em investigações indicam que, em 13 de março de 2025, o publicitário Thiago Miranda enviou uma mensagem a Daniel Vorcaro sugerindo uma agenda com Flavio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro para tratar do filme. Apenas duas horas após o registro dessa comunicação, Eduardo Bolsonaro utilizou suas redes sociais para anunciar sua mudança definitiva para os Estados Unidos, levantando suspeitas sobre a correlação entre o aporte financeiro e sua decisão de residência no exterior.

A atuação parlamentar e o suporte ao setor financeiro

A relação entre Eduardo Bolsonaro e o Banco Master, instituição ligada a Daniel Vorcaro, tem sido alvo de escrutínio. Relatos indicam que o parlamentar teria utilizado sua influência política para favorecer os interesses da instituição. O deputado Filipe Barros (PL-PR), sucessor de Eduardo Bolsonaro na presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), teria sido um dos agentes dessa articulação dentro da Câmara dos Deputados.

Sob a gestão de Filipe Barros, a comissão foi supostamente utilizada para pressionar autoridades que representavam riscos aos interesses do Banco Master. Além disso, o deputado apresentou o Projeto de Lei nº 4395/2024, que buscava ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida interpretada por especialistas como uma tentativa de blindar financeiramente a instituição.

Investigação sobre o destino dos recursos

O montante de R$ 130 milhões envolvido na produção de Dark Horse levanta questionamentos sobre a viabilidade econômica do projeto. Analistas sugerem que o valor é desproporcional para uma obra cinematográfica, indicando que o capital poderia estar sendo redirecionado para custear lobby político e acesso a escalões superiores do governo dos Estados Unidos. Em julho de 2025, ao ser questionado sobre o financiamento de seu estilo de vida no exterior, Eduardo Bolsonaro afirmou que os custos eram cobertos por “um amigo do amigo do meu pai”.

O caso, que segue sob investigação policial, é considerado um ponto de convergência para dois eixos centrais da política nacional: a atuação do Banco Master e as suspeitas de conspiração com potências estrangeiras visando a desestabilização da economia brasileira. A apuração busca esclarecer se o filme funcionou, de fato, como uma fachada para desvios de recursos que deveriam ser destinados a aposentados, servindo como combustível para agendas políticas extremistas.

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Fonte: redir.folha.com.br