Como evitar o boi bolinha e garantir o ganho de peso ideal na recria

Como evitar o boi bolinha e garantir o ganho de peso ideal na recria

Geral

O desafio da nutrição na recria de bovinos

A busca por produtividade na pecuária brasileira coloca o produtor diante de um dilema técnico constante durante a fase de recria: como acelerar o ganho de peso sem comprometer a estrutura corporal do animal. O surgimento do chamado boi bolinha — termo utilizado para descrever bovinos que acumulam gordura precocemente em vez de desenvolver massa muscular e estrutura óssea — é um sinal de alerta sobre erros no manejo nutricional.

Segundo o zootecnista Rafael Neiva, o principal desafio é garantir que o desempenho do gado durante o período seco não sacrifique o desenvolvimento futuro. Quando a dieta oferece energia em excesso sem o devido balanço proteico, o organismo do animal antecipa a deposição de gordura subcutânea. Esse processo, embora resulte em um peso elevado na balança, pode prejudicar o desempenho na fase de terminação e o peso maduro do bovino, afetando a qualidade final da carcaça.

Estratégias para o manejo nutricional eficiente

Para contornar esse problema, as pesquisas atuais têm focado em dietas que permitem ganhos consistentes sem estimular o acúmulo adiposo desnecessário. Entre as alternativas estudadas, destacam-se as dietas com baixa inclusão de volumoso ou, em casos específicos, regimes que dispensam o uso de forragens tradicionais, focando em concentrados que favorecem o crescimento estrutural.

O manejo nutricional durante a recria confinada é estratégico, especialmente porque o animal ainda passará por uma nova etapa de desenvolvimento a pasto antes de seguir para o abate. O objetivo é manter o crescimento contínuo, evitando o efeito sanfona que ocorre quando o gado perde peso ou estagna ao sair de um ambiente controlado para o pasto.

Impactos na produtividade e no ciclo pecuário

A adoção da recria confinada tem se consolidado como uma ferramenta essencial para mitigar os efeitos da sazonalidade, garantindo que a oferta de nutrientes seja estável mesmo quando a qualidade das pastagens cai drasticamente. Ao manter o gado em desenvolvimento constante, o produtor consegue reduzir a idade de abate e encurtar o ciclo produtivo, o que se traduz em maior giro de capital e rentabilidade para a propriedade.

Além disso, a adaptação metabólica é um ganho indireto importante. Animais que passam por uma recria bem estruturada chegam à fase de terminação com o rúmen mais preparado para dietas de alta densidade energética. Esse preparo prévio facilita a transição alimentar e minimiza o estresse metabólico, permitindo que o ganho de peso seja mais eficiente e previsível até o momento do abate.

O ConexRS segue acompanhando as inovações tecnológicas e as melhores práticas de manejo que impulsionam a pecuária nacional. Continue conosco para conferir análises aprofundadas sobre o mercado agropecuário, tendências de nutrição animal e as estratégias que fazem a diferença na produtividade do campo. Acesse o portal da Embrapa para mais dados técnicos sobre nutrição de bovinos.

Fonte: canalrural.com.br