João Campos busca apoio de Lula para reverter vantagem de Raquel Lyra em Pernambuco

João Campos busca apoio de Lula para reverter vantagem de Raquel Lyra em Pernambuco

DESTAQUES Política

Estratégia política e o legado de Eduardo Campos

O cenário político em Pernambuco para as eleições de 2026 ganha contornos definidos com a movimentação de João Campos, atual presidente nacional do PSB. O ex-prefeito do Recife aposta na força da imagem do presidente Lula (PT) para retomar o comando do estado, que permaneceu sob gestão socialista por 16 anos, até a derrota em 2022. A estratégia central é reeditar a histórica parceria política mantida entre o petista e seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, falecido em 2014.

A campanha de Campos pretende resgatar a memória dessa aliança, que incluiu a passagem de Eduardo Campos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia no primeiro mandato de Lula. Ao evocar esse passado, o dirigente do PSB busca consolidar um palanque que se apresente como o sucessor natural do projeto político que, por anos, conectou o estado ao governo federal.

O desafio nas urnas e a disputa pelo eleitorado

A corrida eleitoral, segundo dados da pesquisa Quaest divulgada em 28 de julho de 2026, mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) à frente, com 43% das intenções de voto, enquanto João Campos registra 37%. Com uma margem de erro de três pontos percentuais, a disputa aponta para um cenário de competitividade acirrada. O desafio do ex-prefeito é converter o prestígio de Lula — que obteve 66,9% dos votos no estado no segundo turno de 2022 — em capital político próprio.

Para o PSB, a presença do presidente em solo pernambucano ainda no primeiro turno é considerada fundamental. Embora exista resistência em alas do PT local, João Campos mantém o otimismo. “Tenho certeza que o presidente vai participar da eleição de Pernambuco. E o palanque, dito pelo próprio presidente, o palanque é nosso”, afirmou em entrevista recente.

Polarização e o posicionamento da direita

Um dos pilares do discurso de João Campos é a desconstrução da neutralidade alegada pela governadora Raquel Lyra. O ex-prefeito sustenta que a base de apoio da atual gestão é composta majoritariamente por lideranças alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao tentar colar a imagem da adversária ao bolsonarismo, ele busca atrair o eleitor progressista que ainda se mantém indeciso ou que hoje declara voto em Lyra.

“Se for perguntado a Flávio Bolsonaro em quem ele votaria em Pernambuco, eu tenho certeza que ele nunca votaria em mim. Todos os representantes da direita de Pernambuco, todos, estão no palanque do PSD e votam nela”, argumentou o político. Essa narrativa visa polarizar a disputa, forçando o eleitor a escolher entre o projeto alinhado ao governo federal e a oposição representada, segundo ele, pela direita.

O desdobramento dessa estratégia será acompanhado de perto nas próximas semanas, à medida que as articulações partidárias se intensificam. Para continuar bem informado sobre os bastidores da política regional e nacional, siga acompanhando o Conexrs. Nosso portal mantém o compromisso de trazer análises aprofundadas e o contexto necessário para que você entenda os movimentos que moldam o futuro do Brasil.

Fonte: redir.folha.com.br