Laura Cardoso, ícone da dramaturgia brasileira, morre aos 98 anos

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A atriz Laura Cardoso, um dos nomes mais importantes da história da dramaturgia brasileira, morreu na noite de segunda-feira (17), em São Paulo, aos 98 anos. A informação foi divulgada pela família durante a madrugada desta terça-feira (18), por meio do perfil oficial da artista. Segundo familiares, ela passou mal em casa e morreu de causas naturais. Laura completaria 99 anos em 13 de setembro.

Nascida Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, em 13 de setembro de 1927, no bairro do Bixiga, em São Paulo, Laura era filha de imigrantes portugueses. A carreira começou ainda na adolescência: aos 15 anos, ingressou no rádio e participou de radionovelas. Em 1952, estreou na televisão na TV Tupi, no programa Tribunal do Coração, tornando-se uma das pioneiras da televisão brasileira.

Ao longo de mais de oito décadas de carreira, Laura Cardoso construiu uma trajetória que atravessou rádio, teatro, cinema e televisão. Foram mais de 100 trabalhos e aproximadamente 60 novelas, além de participações em filmes, peças e dublagens. Na televisão, passou por diferentes emissoras antes de chegar à Globo em 1981, onde permaneceu como uma das principais referências da dramaturgia.

Entre os personagens que marcaram sua carreira estão Isaura, de Mulheres de Areia (1993), e Guiomar, de A Viagem (1994). Também participou de produções como Caminho das Índias e A Dona do Pedaço, sua última novela, exibida em 2019. No cinema, recebeu reconhecimento por trabalhos como Através da Janela e O Outro Lado da Rua. Seu último trabalho cinematográfico foi o curta Dona Rosinha, lançado em 2025.

Uma carreira reconhecida por gerações

Laura recebeu importantes homenagens e prêmios ao longo da vida, incluindo o Troféu APCA, o Prêmio Shell de Teatro e a Ordem do Mérito Cultural. Em outubro de 2025, foi homenageada com uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, reconhecimento à dimensão de sua contribuição para a televisão brasileira.

A longevidade profissional também se tornou uma das marcas da atriz. Laura continuou ligada à televisão e ao cinema mesmo depois dos 90 anos e demonstrava publicamente o desejo de permanecer trabalhando. Colegas de profissão destacaram não apenas seu talento, mas também sua disciplina e influência sobre diferentes gerações de atores. Tony Ramos, que conviveu com Laura por mais de seis décadas, a chamou de “rainha da TV” ao lamentar sua morte.

A despedida ocorre nesta terça-feira (18), das 8h às 14h, no Funeral Home, na região da Bela Vista, em São Paulo. A cerimônia foi organizada de forma restrita à família, embora admiradores possam prestar homenagens nas proximidades do local.

O legado

A morte de Laura Cardoso representa o fim de uma das trajetórias mais longas e influentes da dramaturgia brasileira. Sua carreira acompanhou praticamente toda a evolução dos meios de comunicação de massa no país — do rádio à televisão e ao cinema, passando pelas transformações da teledramaturgia ao longo de décadas.

Mais do que a quantidade de trabalhos, o legado de Laura está na capacidade de transformar personagens secundários ou protagonistas em figuras memoráveis. Sua presença ajudou a consolidar a dramaturgia televisiva brasileira e estabeleceu uma ponte entre diferentes gerações de artistas.

Laura Cardoso deixa duas filhas e uma obra que permanece registrada na memória cultural brasileira.

Fonte principal: G1