Lula e Flávio Bolsonaro disputam votos de 48,7 milhões de eleitores

Política

A disputa pela Presidência chega ao fim neste domingo (25) com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) enfrentando aquela que talvez seja a eleição mais acirrada da história do país. Com as últimas pesquisas de intenção de voto sinalizando empate técnico, a briga no entreturnos se voltou principalmente à conquista dos 48,7 milhões de eleitores que optaram por um caminho alternativo, seja o dos candidatos da terceira via, dos brancos e nulos ou o da abstenção.

A conta considera os 9,3 milhões que optaram pelos concorrentes derrotados no primeiro turno, os 3,6 milhões que anularam o voto, os 2,3 milhões que votaram em branco e o recorde de 33,4 milhões de ausentes registrados no pleito. O cenário mobiliza estratégias intensas de ambas as campanhas para convencer o eleitorado restante antes da abertura das urnas.

Desafios na reta final e a caça aos votos

Do lado petista, Lula diz disputar as eleições pela última vez e tem a difícil tarefa de convencer o eleitor ausente a comparecer às urnas. A abstenção do primeiro turno pesou mais para ele do que para o rival, segundo análise do cientista político Antônio Lavareda, tirando dele cerca de 8 pontos percentuais, enquanto do senador tirou 5.

Já Flávio Bolsonaro tenta assegurar a migração dos votos dos presidenciáveis derrotados, a maioria deles alinhada à direita. Ao mesmo tempo, a campanha adversária tenta aumentar a rejeição ao bolsonarismo por meio de forte mobilização digital na reta final do processo eleitoral.

Alianças e o peso do apoio político

No cabo de guerra pelo eleitor despolarizado, Flávio puxou mais forte no primeiro momento e saiu como o mais votado no dia 4 de outubro com a antecipação do chamado voto útil. Na sequência, o senador foi endossado por lideranças políticas que receberam uma fatia expressiva dos votos que não foram para os dois finalistas.

Entre os apoios recebidos pelo candidato do PL estão nomes que consolidaram a base da direita, enquanto outros setores da terceira via optaram pela neutralidade na disputa. Para mais detalhes sobre o cenário da votação, consulte a cobertura da Folha de S.Paulo.

A estratégia digital e o histórico das urnas

Nas semanas seguintes, a disputa se equilibrou em meio às mobilizações nas ruas e nas redes sociais. O atual presidente tenta um feito inédito: desde 1989, quando o país voltou a ter eleições diretas e estreou o mecanismo de segundo turno, nunca houve uma reviravolta na corrida presidencial entre uma rodada e outra.

A campanha digital petista buscou reverter o quadro com forte atuação na internet, fazendo o presidente oscilar positivamente nos índices de popularidade digital monitorados por consultorias. O esforço concentrado de ambas as frentes define os rumos de uma das votações mais imprevisíveis do Brasil.