Lula propõe mandatos para ministros do STF e criação de conselho para indicações

Lula propõe mandatos para ministros do STF e criação de conselho para indicações

Política

Mudança no modelo de escolha para o Supremo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, em entrevista à BandNews veiculada neste domingo (27), uma reforma no processo de composição do Supremo Tribunal Federal (STF). O chefe do Executivo sugeriu a implementação de mandatos fixos para os magistrados da corte e a criação de um conselho consultivo para filtrar as indicações, retirando a exclusividade da escolha das mãos do Palácio do Planalto.

Para o presidente, o atual sistema de indicação presidencial direta precisa ser revisto para garantir maior legitimidade e responsabilidade dos magistrados perante a sociedade. “Temos que criar um critério para que seja alguém que passe por um crivo de um colegiado. Quero um nome que tenha responsabilidade com a sociedade brasileira, e não apenas alguém indicado pelo presidente”, afirmou Lula.

Crise institucional e investigações em curso

A declaração ocorre em um momento de instabilidade no Judiciário, marcado por desdobramentos da investigação sobre o Banco Master. O inquérito aponta supostos vínculos entre o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, e ministros da corte. Entre os episódios citados, destacam-se diálogos recuperados de aparelhos celulares que indicam contatos frequentes e relações comerciais envolvendo familiares de magistrados, como o ministro Alexandre de Moraes e o ministro Kássio Nunes Marques, além de menções ao filho do ministro Luiz Fux.

Diante desse cenário, Lula adotou um tom de defesa da investigação rigorosa. O presidente enfatizou que, caso sejam comprovadas irregularidades, os envolvidos devem responder por seus atos. “Todo mundo envolvido tem que ser apurado. Na hora que comprovar que a pessoa cometeu erro, a pessoa tem que ser punida. Isso vale para todo mundo”, declarou.

Defesa de aliados e familiares

Durante a entrevista, o presidente também abordou as investigações que atingem pessoas próximas ao seu círculo pessoal e profissional. O caso envolve seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola. Ambos são citados em apurações da Polícia Federal sobre a atuação da lobista Roberta Luchsinger em negociações com o governo federal.

Lula reiterou que não houve interferência de sua parte para proteger os citados e defendeu a inocência de ambos. “Meu filho está à disposição da Justiça e não fiz um único gesto para que ele tivesse qualquer proteção. A proteção é a investigação. Se ele for inocente, ele é inocente”, afirmou. O presidente reforçou que, embora acredite na inocência de seu filho e de Marcola, ambos permanecem sujeitos ao crivo das autoridades competentes.

O debate sobre a reforma do Judiciário ganha fôlego em Brasília enquanto o país acompanha os desdobramentos das investigações. O ConexRS segue monitorando os fatos e os possíveis desdobramentos políticos dessas propostas no Congresso Nacional. Continue acompanhando nosso portal para informações atualizadas, análises aprofundadas e o contexto completo dos temas que movimentam o cenário brasileiro.

Fonte: redir.folha.com.br