O luto e a busca por justiça levaram dezenas de moradores da Restinga, bairro da Zona Sul de Porto Alegre, a um protesto emblemático neste sábado (10). O ato, que clamou pela instalação de uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) na região, foi marcado pelo depoimento doloroso de Thaís de Araújo, mãe de Thamires de Araújo Rodrigues, de 24 anos, vítima de feminicídio no início do mês.
Thamires foi morta a facadas dentro de sua própria casa. O principal suspeito do crime é o companheiro da vítima, Douglas Vinicius dos Santos Bernardo, de 29 anos, que foi preso pelas autoridades. A brutalidade do caso chocou a comunidade e expôs a fragilidade da rede de proteção às mulheres em uma das áreas mais populosas da capital gaúcha.
O relato da descoberta do crime
Thaís de Araújo foi quem encontrou o corpo da filha ao chegar na residência para levar a neta, que havia passado a noite sob seus cuidados. O relato da mãe descreve uma cena de horror, iniciada por uma conversa tensa através da janela do banheiro, onde o suspeito se encontrava. Ao questionar sobre o paradeiro de Thamires, Thaís foi confrontada com uma confissão fria.
“Daí ele me olhou e disse assim: Thaís, eu matei a tua filha”, recorda a mãe. Após forçar a entrada, ela encontrou Thamires sem vida. O choque da família é agravado pelo fato de que, segundo Thaís, não havia histórico de violência entre o casal. O suspeito, que trabalhava como repositor de mercadorias, era integrado à rotina familiar e mantinha um bom relacionamento com os parentes da vítima.
Demanda por segurança na Restinga
A manifestação na esplanada da Restinga reforçou a urgência de políticas públicas de segurança. Com cerca de 62 mil habitantes, o bairro lidera as estatísticas de violência doméstica, estupro e ameaça em Porto Alegre. Atualmente, a delegacia especializada mais próxima está localizada a 17 quilômetros de distância, dificultando o acesso das vítimas ao suporte necessário.
Em resposta à demanda da comunidade, a Polícia Civil informou, por meio de nota, que a instalação de uma unidade especializada na região é tratada como prioridade, embora a falta de efetivo seja um entrave atual. A instituição projeta que, com o ingresso de novos policiais concursados, o serviço possa ser viabilizado no próximo ano. Além disso, a criação de uma Sala das Margaridas junto à delegacia local está prevista para o início do próximo mês, como uma medida paliativa de acolhimento.
O futuro dos filhos de Thamires
Além da dor pela perda da filha, Thaís de Araújo enfrenta agora o desafio de garantir o bem-estar dos dois netos, que perderam a mãe e terão o pai sob custódia do Estado. A mãe da vítima afirmou que pretende lutar pela guarda das crianças, buscando oferecer estabilidade diante da tragédia familiar. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha para esclarecer as circunstâncias exatas do crime. Para mais informações sobre este e outros desdobramentos da segurança pública no Rio Grande do Sul, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de notícias comprometido com a apuração rigorosa e o olhar atento às questões que impactam a sociedade.
Fonte: g1.globo.com

