O Malba, um dos museus mais prestigiados da América Latina, prepara uma transformação estrutural que promete redefinir sua presença urbana em Buenos Aires. O projeto, que prevê uma expansão subterrânea sob a Plaza Perú, foi anunciado pelo fundador e presidente da instituição, o empresário Eduardo Costantini, durante as celebrações que marcaram os 25 anos do museu em setembro.
A iniciativa, que visa ampliar a capacidade expositiva e operacional do museu sem alterar a paisagem da praça vizinha, está sob a responsabilidade do Taller Frida Escobedo, escritório de arquitetura com atuação consolidada na Cidade do México e em Nova York. A expectativa é que as obras estejam concluídas entre o fim de 2029 e o início de 2030, consolidando o museu como um polo cultural ainda mais robusto na capital argentina.
Projeto arquitetônico sob a Plaza Perú
A estratégia de expansão subterrânea foi desenhada para integrar novos ambientes sem comprometer o espaço público da Plaza Perú. O projeto contempla a criação de salas dedicadas a exposições temporárias, um auditório moderno, áreas multiuso, espaços para oficinas educativas e setores administrativos e de armazenamento. A conexão entre o novo subsolo e a superfície será feita por meio de uma praça-pátio externa, pensada para promover a fluidez entre o museu e a cidade.
Segundo a arquiteta Frida Escobedo, em declaração ao portal The Art Newspaper, o objetivo central é criar novas conexões programáticas que potencializem a experiência do visitante. Com a nova estrutura, o Malba terá condições de realizar atividades simultâneas de cinema, literatura e educação, operando com maior flexibilidade mesmo fora dos horários convencionais de visitação. A ideia, debatida desde 2011, ganha agora um contorno definitivo com a assinatura de um escritório internacional de renome.
Crescimento do acervo e Coleção Daros
A necessidade de ampliação física está diretamente ligada ao crescimento expressivo do acervo da instituição. Em dezembro de 2025, Eduardo Costantini oficializou a aquisição da Coleção Daros Latinamerica, um conjunto que reúne mais de 1.200 obras de artistas fundamentais da região. A doação desse acervo ao Malba, confirmada em setembro de 2026, foi acompanhada por outras 17 peças de grande relevância histórica.
Com essas incorporações, o museu passa a custodiar aproximadamente 3 mil obras. O conjunto inclui trabalhos de nomes icônicos como Frida Kahlo, Diego Rivera, Leonora Carrington, Remedios Varo e Wifredo Lam. O Malba, que é um destino obrigatório para turistas brasileiros, mantém em seu acervo o emblemático Abaporu, de Tarsila do Amaral, obra que continua a atrair visitantes de todo o mundo, mesmo quando não está em exposição temporária.
Sustentabilidade financeira com o Malba Art Trust
Além da reforma física, a instituição deu um passo importante para garantir sua longevidade. Costantini instituiu o Malba Art Trust, um fundo com aporte inicial de US$ 50 milhões destinados a assegurar a sustentabilidade financeira do museu a longo prazo. O fundo busca reduzir a dependência exclusiva dos recursos do fundador, convidando patrocinadores e apoiadores internacionais a se somarem ao projeto.
Embora o fundo seja um marco para a governança do museu, o custo total da obra de expansão ainda não foi divulgado. A estratégia de Costantini reflete uma visão de gestão que prioriza a perenidade da instituição, garantindo que o Malba continue a ser uma referência na preservação e difusão da arte latino-americana para as próximas gerações.
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Fonte: seudinheiro.com

