Entenda por que a marcação a mercado traz mais transparência para o investidor no Brasil

Entenda por que a marcação a mercado traz mais transparência para o investidor no Brasil

Economia

Durante o Encontro Anual sobre Índices e ETFs no Brasil 2026, promovido pela S&P Global, especialistas do mercado financeiro debateram as transformações necessárias na cultura de investimento do país. O painel reuniu Andrés Kikuchi, diretor executivo da Nu Asset, Cristiano Castro, diretor da BlackRock no Brasil, Cauê Mançanares, CEO e cofundador da Investo, e Isaac Marcovistz, gerente executivo de fundos de renda fixa da BB Asset.

O consenso entre os executivos é que o mercado brasileiro precisa evoluir além da dependência tradicional dos títulos pós-fixados. A transição exige compreender que as oscilações diárias nos preços dos ativos não representam perdas financeiras automáticas, mas sim a precificação real do patrimônio negociado.

A ilusão do pós-fixado e a dependência histórica do CDI no Brasil

Historicamente, as taxas de juros elevadas no Brasil criaram uma zona de conforto para quem investe. Aplicações indexadas ao CDI garantiram retornos reais significativos com liquidez imediata, um cenário raro quando comparado aos mercados internacionais. Essa dinâmica acostumou o público a associar segurança à ausência de variações visíveis no saldo.

De acordo com os palestrantes, esse modelo focado apenas no rendimento diário afastou a pessoa física de conceitos fundamentais da renda fixa. Fatores essenciais como risco de crédito, prazos de vencimento e a influência das curvas de juros raramente eram levados em consideração na montagem das carteiras.

Ao se restringir aos produtos pós-fixados, o aplicador deixa de aproveitar oportunidades de ganho de capital. Títulos prefixados ou atrelados à inflação oferecem valorização expressiva em momentos de queda nas taxas de juros ou em movimentos favoráveis da curva orçamentária.

Marcação a mercado como ferramenta de transparência para o investidor

Para mudar essa mentalidade, o diretor da BlackRock no Brasil, Cristiano Castro, ressaltou que a marcação a mercado cumpre um papel pedagógico e de proteção. Segundo o executivo, a variação diária de preços garante clareza sobre o valor real do ativo em determinado momento.

Entender essa dinâmica é o primeiro passo para que a pessoa física consiga proteger o patrimônio de forma mais eficiente. A precificação constante reflete as condições atuais da economia e permite decisões mais informadas de compra ou venda.

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