Mensagens recuperadas de dispositivos eletrônicos revelam que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou registros a autoridades e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pouco antes de sua detenção. De acordo com informações divulgadas pelo portal UOL, as conversas utilizavam o recurso de visualização única no aplicativo WhatsApp para tentar apagar os rastros das interações entre os envolvidos.
A investigação detalha que o ex-banqueiro utilizava um método específico para driblar o armazenamento convencional de dados nas conversas digitais. Vorcaro redigia os textos diretamente no aplicativo de notas do celular, realizava uma captura de tela e enviava a imagem com tempo expirável aos destinatários. Mesmo com a exclusão automática após a leitura, vestígios técnicos remanescentes nos aparelhos permitiram o cruzamento de informações com registros de atividade dos dispositivos.
Dinâmica das conversas e menção a recursos financeiros
Durante a troca de mensagens apurada pela imprensa, o dono do Banco Master tratava de dificuldades operacionais para a realização de transferências e citava o envio de parcelas de recursos. Em uma das interações registradas no final de 2025, o empresário afirmava que a situação estava complexa, mas que buscava solucionar os repasses pendentes com um intermediário que não teria liquidado os valores iniciais.
As apurações mostram que o parlamentar havia enviado manifestações de apoio ao empresário momentos antes, utilizando o mesmo formato de imagem temporária. Na sequência, Vorcaro respondia sobre o cenário adverso enfrentado nos negócios e o esforço para reorganizar as transações financeiras nos dias seguintes, pouco antes de o cerco investigativo se fechar sobre suas atividades.
Estratégia de comunicação e monitoramento de autoridades
O uso de capturas de tela e imagens de visualização única não era restrito ao diálogo com o senador fluminense. Relatórios técnicos apontam que a mesma dinâmica foi adotada em contatos com outras figuras públicas de relevo nacional, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, em uma tentativa de manter conversas sigilosas fora do escrutínio tradicional de registros de texto.
A recuperação desses vestígios digitais ocorreu por meio da análise minuciosa de arquivos temporários gerados pelo sistema operacional do aparelho celular utilizado pelo banqueiro. O cruzamento técnico entre os metadados dos documentos e os horários de atividade do dispositivo permitiu aos investigadores reconstituir parte significativa das tratativas mantidas pelo executivo nos instantes que antecederam a sua captura pelas autoridades competentes.

