O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue com negociações pontuais e preços praticamente estáveis, diante da demanda enfraquecida das indústrias e da redução das exportações. O cenário reflete um momento de cautela tanto por parte de quem compra quanto de quem vende no setor agrícola nacional.
Segundo análise divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a dificuldade de repassar os custos da matéria-prima ao produto beneficiado também limita novos negócios. Parte das indústrias permanece abastecida e tem reduzido as aquisições em razão das vendas fracas de arroz beneficiado no mercado doméstico.
Além disso, a procura pelo cereal destinado à exportação perdeu força após um período de compras expressivas realizadas por compradores internacionais. A queda do dólar contribuiu para esse movimento, tornando os embarques brasileiros menos atrativos no comércio global.
Indústrias enfrentam dificuldade para repassar custos
Segundo colaboradores consultados pelo Cepea, os preços atuais do arroz em casca dificultam a operação das indústrias, que não conseguem transferir integralmente os custos da matéria-prima para os valores cobrados pelo arroz beneficiado. Diante desse cenário, algumas empresas optaram por reduzir as compras, enquanto outras se afastaram temporariamente das negociações.
A combinação entre demanda doméstica enfraquecida e menor procura externa mantém o mercado com baixa movimentação, sem alterações expressivas nas cotações. Essa retração impacta diretamente a dinâmica comercial nas principais regiões produtoras do estado gaúcho.
Produtores priorizam plantio da nova safra
Do lado da oferta, os produtores também demonstram pouca disposição para negociar, contribuindo para a estabilidade dos preços. Segundo o Cepea, a atenção dos agricultores está concentrada no plantio da nova safra, que avança nas regiões onde as condições climáticas permitem a realização dos trabalhos no campo.
Com isso, as vendas de arroz em casca ocorrem principalmente para cobrir despesas relacionadas ao novo ciclo produtivo. A baixa disposição dos vendedores, combinada à demanda limitada das indústrias, mantém as negociações restritas no mercado gaúcho, sem perspectivas de grandes reviravoltas no curto prazo para o setor.
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