Mercado de soja inicia outubro com liquidez reduzida e cautela entre produtores

Mercado de soja inicia outubro com liquidez reduzida e cautela entre produtores

Geral

O início de outubro trouxe um cenário de estagnação para o mercado brasileiro de soja. Com a chegada do novo mês, o setor observa uma movimentação tímida e baixa liquidez nas principais praças produtoras do país. Nesta quinta-feira (1º), os preços apresentaram um comportamento misto, refletindo a cautela de quem detém o grão e a postura defensiva dos compradores, que buscam reduzir os valores de aquisição.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o impasse é claro: o produtor rural mantém-se afastado das mesas de negociação, aguardando sinais mais consistentes de valorização, enquanto a ponta compradora pressiona os bids para baixo. Esse descompasso entre oferta e demanda tem travado o fluxo comercial, resultando em um mercado lento logo nos primeiros dias do mês.

Pressão externa e o impacto da colheita nos Estados Unidos

O cenário doméstico não está isolado das influências globais. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), as cotações registraram recuos significativos. O principal vetor de pressão é a expectativa de um clima favorável à colheita nos Estados Unidos, o que tende a aumentar a oferta imediata do produto no mercado internacional. Além disso, o ambiente de aversão ao risco no cenário financeiro global e a liquidação de posições por parte de fundos de investimento contribuíram para a queda dos preços.

Apesar da pressão externa, fatores internos ajudaram a amortecer uma desvalorização mais acentuada. O dólar comercial apresentou alta de 0,98%, encerrando o dia cotado a R$ 5,2237. Somado a isso, os prêmios de exportação registraram leves altas, o que serviu como um contraponto parcial à queda das cotações em Chicago, evitando que o impacto sobre os preços pagos ao produtor brasileiro fosse ainda mais severo.

Oscilações e comportamento das praças brasileiras

O reflexo dessa instabilidade foi sentido de forma desigual pelo país. Em regiões como Passo Fundo e Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, houve recuo nas cotações, saindo de R$ 154,50 para R$ 153,00 e de R$ 155,50 para R$ 154,00, respectivamente. O mesmo movimento de baixa foi observado em Cascavel (PR), que fechou a R$ 149,00, e nos portos de Paranaguá e Rio Grande, que registraram ajustes negativos.

Em contrapartida, praças importantes como Rondonópolis (MT), Dourados (MS) e Rio Verde (GO) mantiveram estabilidade, com os preços estacionados em R$ 147,00, R$ 147,00 e R$ 146,00, respectivamente. A manutenção desses valores indica que, embora o mercado esteja travado, ainda há uma resistência à queda em regiões com maior peso na produção nacional.

Demanda chinesa e perspectivas para a safra 2026/27

O mercado segue atento aos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). As exportações líquidas norte-americanas para a temporada 2026/27 somaram 1,033 milhão de toneladas na semana encerrada em 24 de setembro, com a China liderando as compras. Embora o volume esteja dentro das expectativas, o ritmo da demanda chinesa ainda gera preocupações, especialmente diante dos elevados estoques nas unidades de esmagamento do país asiático.

Para o investidor e o produtor, o momento exige monitoramento constante. A volatilidade dos contratos futuros — com o vencimento em novembro de 2026 fechando a US$ 12,88 1/4 por bushel — demonstra que o mercado ainda busca um ponto de equilíbrio. O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos do agronegócio, trazendo análises fundamentadas para que você tome as melhores decisões. Continue conosco para entender os próximos passos da economia e do campo.

Fonte: canalrural.com.br