O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter sob sigilo as quebras de sigilo bancário e fiscal de mais de 30 pessoas físicas e jurídicas investigadas no caso Master, incluindo empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Essa decisão ocorre em um contexto de crescente tensão no STF, onde o material em questão é considerado mais abrangente do que os dados solicitados anteriormente pelo ministro Alexandre de Moraes.
Quebras de sigilo e suas implicações
As quebras de sigilo autorizadas por Mendonça envolvem informações detalhadas sobre movimentações financeiras de empresas como a Super Empreendimentos, que está sendo investigada pela Polícia Federal (PF) por supostamente atuar como canal para pagamentos de Vorcaro a milícias e agentes públicos. Além disso, a Moriah Asset, um fundo de investimento ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também está sob análise.
Relatório do Coaf e a solicitação da PF
A PF havia solicitado a Mendonça a retirada de dados sigilosos do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Após essa solicitação, uma nova representação foi enviada, pedindo que as quebras de sigilo fossem autorizadas. Mendonça considerou que a primeira solicitação havia perdido seu objeto, pois as quebras de sigilo são mais abrangentes e detalhadas.
Contexto da crise no STF
A situação se agrava com a crise interna no STF, especialmente após Mendonça expor mensagens que Vorcaro teria enviado a Moraes. O plenário do STF se reunirá para discutir essa crise, e Moraes mencionou em ofício que Mendonça não havia tornado público o material do Coaf, que é essencial para o julgamento. A decisão sobre a divulgação do material agora está nas mãos do presidente do STF, Edson Fachin.
Movimentações atípicas e a Igreja da Lagoinha
Durante a gestão de Zettel, a Igreja da Lagoinha registrou movimentações financeiras atípicas, totalizando R$ 57 milhões em um período de menos de um ano, enquanto seu faturamento anual é de apenas R$ 950 mil. Essas informações levantam suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos.
Próximos passos e o futuro das investigações
Fachin, que assumiu a relatoria do caso, determinou o levantamento do sigilo de todo o caso Master, exceto em situações onde diligências ainda estão em andamento. Essa medida visa garantir uma maior transparência nas investigações, embora a paralisação das apurações tenha gerado novas tensões entre os ministros do STF.
Fonte: redir.folha.com.br
