Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, morre aos 70 anos em Porto Alegre

Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, morre aos 70 anos em Porto Alegre

Rio Grande do Sul

A morte do comentarista esportivo Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, aos 70 anos, nesta quarta-feira (28), em Porto Alegre, levou ouvintes e colegas a recordar características que fizeram dele um dos personagens mais conhecidos da comunicação esportiva gaúcha. Além da atuação no Grupo RBS, onde iniciou a carreira no rádio ao lado de Paulo Roberto Falcão, ele ganhou notoriedade pelas frases que se espalharam como memes e foram recentemente registradas em livro.

Internado no Instituto de Cardiologia para tratar uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado, o comunicador deixou uma marca profunda no jornalismo regional. Conhecido pelo bom humor e pelas opiniões contundentes, Guerrinha acumulou admiradores entre torcedores de diferentes clubes ao longo de décadas dedicadas aos microfones, às redações de jornais e aos estúdios de televisão.

Da cobertura de turfe ao protagonismo no esporte

Filho do comunicador Adroaldo Guerra, conhecido como Vovô Guerra, o jornalista começou a carreira cobrindo turfe e corridas de cavalo. Em 1983, retornou ao Grupo RBS para escrever sobre o tema no jornal Zero Hora, após passagens por outros veículos da imprensa escrita estadual e nacional.

Com o encerramento da cobertura especializada do setor hípico, ele migrou para a editoria de esportes em 1993, passando a acompanhar de perto o dia a dia do Internacional. Anos depois, consolidou-se também na televisão e no rádio, participando de atrações tradicionais como o programa Lance Final e o debate Sala de Redação.

Parceria com Paulo Roberto Falcão e novos formatos

A trajetória nos microfones do rádio ganhou força em 1999, quando a Rádio Gaúcha lançou um programa apresentado sob a grife do ex-jogador Paulo Roberto Falcão, tendo Guerrinha como coapresentador. A experiência abriu caminho para a consolidação de sua presença no veículo.

Em 2014, após a saída de Falcão da emissora, o comentarista passou a comandar o Paredão do Guerrinha, atração que manteve o estilo dinâmico e direto de debate. A franqueza nas análises ajudou a moldar sua identidade pública perante a audiência gaúcha.

O humor marcante e a repercussão em memes

As tiradas bem-humoradas e as comparações inusitadas tornaram-se marcas registradas do comunicador, ultrapassando as barreiras do jornalismo esportivo tradicional. Frases como “ninguém quer saber o preço do dólar, nós não temos dólar”, ditas durante um debate na televisão, rapidamente ganharam as redes sociais.

Outras expressões marcantes, a exemplo de “não dá pra servir farofa em restaurante com ventilador de teto” e “dormindo no gelo e acordando suado”, consolidaram sua popularidade digital. No início de outubro, essas e outras centenas de frases foram reunidas no livro As Mortas do Guerrinha, fruto de um trabalho de compilação realizado ao longo de anos.

Despedida e homenagens do meio jornalístico

A cerimônia de despedida ocorre no Crematório Metropolitano em Porto Alegre, com velório programado na sala Ecumênica. O Grupo RBS emitiu uma nota oficial de pesar destacando o legado deixado pelo comunicador para a imprensa do Rio Grande do Sul.

Guerrinha deixa a esposa, Kátia, as filhas Michelle e Karine, além de três netos. Colegas de profissão e ouvintes utilizaram as redes sociais para prestar homenagens e relembrar momentos marcantes da convivência com um dos nomes mais emblemáticos do rádio e da televisão gaúcha.