MST amplia bancada na Câmara dos Deputados e elege quatro representantes

MST amplia bancada na Câmara dos Deputados e elege quatro representantes

Política

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) consolidou um avanço em sua estratégia de ocupação de espaços institucionais ao eleger quatro nomes para a próxima legislatura da Câmara dos Deputados. O número representa um crescimento em relação ao pleito de 2022, conforme dados divulgados pela própria organização. O movimento, que foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em 2023, reforça sua presença no Legislativo federal através de parlamentares vinculados ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Consolidação e renovação na bancada federal

A nova configuração da bancada conta com a reeleição de três nomes que já possuíam assento na Casa: Valmir Assunção, representante da Bahia; Marcon, pelo Rio Grande do Sul; e João Daniel, por Sergipe. A lista de eleitos é completada por Rosa Amorim, representante de Pernambuco. Segundo o MST, a eleição de Amorim marca um fato histórico para a organização, sendo ela a primeira mulher oriunda do movimento a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados em Brasília.

Este movimento de ocupação de cargos eletivos faz parte de uma diretriz estratégica adotada pelo MST desde 2022. O objetivo central é utilizar a estrutura parlamentar para impulsionar pautas históricas da organização, como a reforma agrária e o fortalecimento da agricultura familiar em âmbito nacional.

Contexto de embates políticos e legislativos

A ampliação da representação ocorre em um cenário político ainda marcado pelos reflexos de intensos embates legislativos. Na última legislatura, o movimento enfrentou a instalação de uma CPI que, segundo lideranças do MST, teve como objetivo central a criminalização de suas atividades. A comissão foi presidida pelo então deputado Coronel Zucco (PL-RS), que recentemente foi eleito governador do Rio Grande do Sul, e teve como relator o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo-SP).

Além da esfera federal, o movimento também obteve sucesso em pleitos estaduais, garantindo a eleição de mais quatro nomes para Assembleias Legislativas. Entre os eleitos estão Adão Pretto Filho, no Rio Grande do Sul, Marina do MST, no Rio de Janeiro, e Missias, no Ceará — todos em processo de reeleição — além de Camilo Daniel, em Sergipe, que migra da vereança em Aracaju para o Legislativo estadual.

Pautas prioritárias e agenda de atuação

Em nota oficial, o movimento detalhou os compromissos assumidos por seus representantes eleitos. A agenda legislativa do grupo para os próximos anos foca em pilares como a democratização do acesso à terra e o incentivo à produção de alimentos saudáveis através de sistemas de cooperação. O combate à fome, a defesa da educação, da saúde e da cultura, além de políticas de sustentabilidade e preservação ambiental, também compõem o rol de prioridades dos parlamentares ligados ao movimento.

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Fonte: redir.folha.com.br