Paranapanema reduz dívida em R$ 3,9 bilhões e busca fôlego em meio à recuperação judicial

Paranapanema reduz dívida em R$ 3,9 bilhões e busca fôlego em meio à recuperação judicial

Economia

A Paranapanema (PMAM3), tradicional produtora de cobre que atravessa um delicado processo de recuperação judicial desde 2022, alcançou um marco significativo em sua reestruturação financeira. A companhia anunciou a liquidação de R$ 3,94 bilhões de um passivo total de R$ 4,27 bilhões, representando uma redução de 92,3% em uma dívida que há anos pressionava o balanço da empresa e limitava sua capacidade operacional.

O acordo foi celebrado com um grupo de 11 credores financeiros, incluindo instituições de peso como Banco do Brasil (BBAS3), Caixa Econômica Federal e Bradesco (BBDC4). A operação, finalizada na última quarta-feira (30), é vista pelo mercado como um passo essencial para a sobrevivência da companhia, que busca reorganizar suas finanças para retomar o crescimento sustentável no setor de transformação de cobre.

A engenharia financeira por trás do acordo

Para viabilizar a quitação, a Paranapanema estruturou um pagamento de R$ 326,3 milhões. Esse montante foi composto por R$ 41 milhões provenientes de uma conta vinculada, R$ 185,3 milhões de saldos judiciais decorrentes de cessões de direitos creditórios e R$ 100 milhões em dinheiro novo, captados por meio da 11ª emissão de debêntures conversíveis da empresa.

O saldo remanescente da dívida, na ordem de R$ 327,4 milhões, será equacionado ao longo de três anos através da monetização de créditos judiciais da própria companhia e de sua controlada, a CDPC. Segundo a empresa, esse mecanismo não comprometerá o caixa operacional necessário para o dia a dia da fábrica, garantindo que a operação industrial não sofra novas interrupções por falta de recursos.

O cenário de recuperação judicial e os desafios futuros

Embora o acordo represente um alívio bilionário, a Paranapanema permanece sob o regime de recuperação judicial. A empresa reconhece que, apesar da vitória pontual sobre o chamado “Acordo Global” — renegociação firmada originalmente em 2017 —, a estrutura de capital ainda exige ajustes profundos para que a companhia retorne à normalidade financeira.

Dados do segundo trimestre de 2026 revelam a magnitude do desafio: a dívida bruta da empresa atingia R$ 6,12 bilhões, com a maior parte concentrada no curto prazo. O patrimônio líquido negativo de R$ 7,81 bilhões ilustra o tamanho do rombo que a administração precisa sanar. Mesmo com um Ebitda positivo de R$ 68,9 milhões no período, o prejuízo líquido de R$ 285,1 milhões reforça que o custo financeiro do endividamento ainda é um entrave severo.

Limpeza de balanço e próximos passos

A transação desta semana não é um caso isolado. A Paranapanema tem buscado ativamente limpar seu balanço, tendo liquidado mais de R$ 5,1 bilhões em passivos ao longo deste ano. Entre as quitações recentes estão valores devidos ao Fundo BS, à Axia Energia (AXIA3) e ao Banrisul, evidenciando uma estratégia agressiva de negociação com diversos perfis de credores.

A empresa agora foca em ampliar o acesso a capital de giro, condição indispensável para aumentar a produção e, consequentemente, as receitas. A Paranapanema aposta que a liberação de seus ativos operacionais, agora desonerados de parte das garantias exigidas pelos credores, permitirá uma gestão mais eficiente e competitiva no mercado de cobre.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos da recuperação judicial da Paranapanema e os impactos dessas movimentações no mercado financeiro. Para se manter informado sobre as principais notícias corporativas e análises econômicas que afetam o seu bolso, continue acompanhando nossas atualizações diárias.

Fonte: seudinheiro.com