A transição para um modelo de precisão e valor agregado
A pecuária de corte brasileira atravessa um momento decisivo de sua história, preparando-se para uma transformação estrutural profunda que deve se consolidar até 2040. O setor, que historicamente baseou seu crescimento na expansão de área, caminha agora para um modelo focado em produtividade, tecnologia de ponta e sustentabilidade. Essa mudança de paradigma, que coloca o Brasil em uma nova era de eficiência, será um dos temas centrais debatidos por especialistas no 5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte, em Chapecó (SC).
Segundo o pesquisador Guilherme Cunha Malafaia, da Embrapa Gado de Corte, o país está abandonando gradualmente o foco exclusivo em volume para se consolidar como um fornecedor global de carne de alto valor. A projeção para as próximas décadas aponta para uma produção superior a 13 milhões de toneladas de carne bovina, sustentada por sistemas intensivos e confinados que exigem maior rigor na gestão e no uso de dados.
Produtividade e o uso inteligente da terra
Um dos indicadores mais claros dessa evolução é o comportamento do uso do solo. Nas últimas duas décadas, a área destinada a pastagens no Brasil apresentou uma redução de aproximadamente 11%, enquanto a produtividade por hectare praticamente dobrou, atingindo a marca de cinco arrobas anuais. Esse movimento demonstra que o crescimento do setor não depende mais da abertura de novas fronteiras, mas da otimização das terras já ocupadas.
Para alcançar as metas de 2040, o setor aposta na integração de atividades, como o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), e na recuperação de pastagens degradadas. Essas práticas não apenas elevam a eficiência produtiva, mas também se alinham às crescentes exigências por uma pecuária de baixo carbono, essencial para a competitividade em mercados internacionais cada vez mais rigorosos quanto a critérios ambientais.
Rastreabilidade e o novo status sanitário
O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, conquistado em 2025, foi um divisor de águas para as exportações. Com a abertura de novos mercados premium, a rastreabilidade individual dos animais deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade estratégica. O objetivo é que cada animal carregue um histórico completo, englobando desde a genética e nutrição até indicadores de bem-estar animal e impacto ambiental.
A digitalização, impulsionada pela inteligência artificial e pelo monitoramento em tempo real, permitirá que essas informações acompanhem o produto até o consumidor final. Para o produtor, isso exige uma mudança cultural: a gestão da propriedade passa a ser conduzida sob uma lógica empresarial, onde o registro de dados e a interpretação de indicadores de desempenho são fundamentais para a tomada de decisão e a diferenciação do produto no mercado global.
O papel da tecnologia no campo
A tecnologia será o principal vetor dessa nova era. Com a automação de processos e o uso de ferramentas de precisão, a pecuária busca contornar desafios como a escassez de mão de obra especializada e a necessidade de reduzir custos operacionais. O profissional do campo, por sua vez, precisará desenvolver novas competências para operar equipamentos modernos e interpretar as informações geradas por sistemas digitais.
À medida que o setor avança, a tendência é uma maior segmentação entre as propriedades. Enquanto algumas focarão na escala e na eficiência de custos, outras se especializarão em nichos de alto valor, atendendo consumidores que demandam certificações específicas e garantias de origem. Acompanhar essas transformações é essencial para entender os rumos da economia rural brasileira. Continue acompanhando o ConexRS para mais análises sobre os setores que impulsionam o desenvolvimento do país e as tendências que moldam o futuro do agronegócio.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
