O aumento das temperaturas globais tem imposto desafios crescentes à pecuária brasileira, exigindo que produtores redobrem a atenção com o bem-estar animal. O estresse térmico, condição que ocorre quando o bovino não consegue dissipar o calor corporal adequadamente, impacta diretamente o consumo de matéria seca e, consequentemente, o ganho de peso e a produtividade das fazendas.
Impacto do calor na fisiologia e no consumo alimentar
Estudos recentes, como o publicado na revista Livestock Science, demonstram que mesmo raças adaptadas ao clima tropical, como a Nelore, sofrem quedas significativas na ingestão de alimentos sob condições de calor extremo. Em experimentos controlados, novilhas expostas a temperaturas de 34 °C apresentaram uma redução de aproximadamente 16% no consumo de matéria seca em comparação a animais mantidos em ambiente de termoneutralidade, a 24 °C.
Além da queda na ingestão, o estresse térmico altera parâmetros digestivos e ruminais, forçando o organismo do animal a gastar mais energia para manter a homeostase. O aumento no consumo de água, que pode chegar a 25,5% a mais em dias quentes, é uma resposta fisiológica imediata para tentar resfriar o corpo, mas que não compensa a menor disponibilidade de nutrientes essenciais para o desenvolvimento muscular e produtivo.
Estratégias nutricionais como aliadas da produtividade
Para mitigar esses efeitos, a nutrição deixa de ser apenas uma questão de volume e passa a ser uma ferramenta de precisão. O balanceamento adequado de proteínas, vitaminas e minerais torna-se crucial, especialmente em períodos onde a qualidade da forragem cai ou o calor limita a capacidade de ingestão do rebanho.
Especialistas reforçam que a suplementação deve ser personalizada conforme a fase produtiva e as condições específicas de cada propriedade. O objetivo é garantir que, mesmo comendo menos, o bovino receba a densidade nutricional necessária para sustentar o desempenho esperado, evitando prejuízos financeiros que podem comprometer a rentabilidade da safra.
Manejo integrado para o conforto do rebanho
A tecnologia nutricional, contudo, não atua sozinha. O sucesso no enfrentamento do estresse térmico depende de um manejo integrado que priorize o conforto ambiental. A oferta de água limpa e fresca em abundância, o acesso a áreas de sombra e o ajuste nos horários de fornecimento de ração são práticas fundamentais.
O monitoramento constante das condições climáticas permite que o pecuarista antecipe medidas preventivas. Ao revisar o manejo antes que os animais apresentem sinais evidentes de estresse, é possível preservar a saúde do rebanho e garantir a eficiência produtiva mesmo diante de verões cada vez mais rigorosos.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br
