O agronegócio brasileiro vive um momento de transição, onde a quantidade produzida já não é o único termômetro de sucesso. A busca pela excelência no prato do consumidor final exige um olhar atento a etapas que ocorrem muito antes do abate. Esse cenário foi o tema central do Meet da Carne, evento realizado pela Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) na última sexta-feira, em Paranavaí, no Noroeste do Paraná.
O encontro, sediado na Sociedade Rural do Noroeste do Paraná durante a programação do Raízes do Agro, reuniu um público diversificado que compõe a espinha dorsal da pecuária: desde produtores que atuam na fase de cria até proprietários de casas de carnes e boutiques especializadas. A discussão principal girou em torno de como as decisões estratégicas tomadas dentro da porteira impactam diretamente a maciez, o sabor e o valor agregado do produto final.
Genética como base para o retorno financeiro no campo
A qualidade da carne não é um acidente, mas um projeto. Segundo os especialistas presentes, a escolha criteriosa de reprodutores e matrizes é o primeiro passo para garantir um rebanho eficiente. Sílvia Freitas, superintendente de Registro da ANC, enfatizou que a seleção genética é a ferramenta que permite identificar características de interesse econômico e multiplicá-las no rebanho.
Durante sua apresentação, Sílvia destacou que a genética não deve ser vista apenas como um custo, mas como um investimento com retorno mensurável. Ao selecionar animais com maior potencial de ganho de peso, precocidade e qualidade de carcaça, o pecuarista consegue reduzir o ciclo de produção e entregar um animal que atende às exigências de mercados mais remuneradores.
Entretanto, a genética sozinha não faz milagres. O evento reforçou o conceito de que o potencial genético de um animal só é plenamente expresso se houver um suporte adequado de manejo nutricional e sanitário. Um animal com excelente linhagem, mas submetido a estresse ou nutrição deficiente, dificilmente entregará a carne premium que o mercado gourmet hoje demanda.
Tecnologia e dados a serviço do melhoramento animal
Um dos pontos altos do Meet da Carne foi a apresentação de ferramentas práticas para o produtor, com destaque para o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo). Mantido pela ANC, o programa fornece dados robustos de avaliação genética que servem como bússola para o planejamento de acasalamentos.
O uso de dados estatísticos e avaliações de campo permite que o criador saia do campo do “achismo” e passe a tomar decisões baseadas em evidências. Isso é fundamental para a sustentabilidade do negócio, pois permite corrigir falhas no plantel e potencializar as virtudes de cada raça. A integração dessas informações ao longo de toda a cadeia produtiva — da cria à recria e engorda — cria um fluxo de qualidade contínuo.
Para saber mais sobre os padrões de qualidade e exportação da carne brasileira, é possível consultar os dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que monitora o desempenho do setor no mercado global.
Conexão entre produtores e o mercado consumidor
O Meet da Carne em Paranavaí teve como diferencial a aproximação de diferentes elos da cadeia. Ao colocar o pecuarista em diálogo direto com quem vende a carne no balcão, o evento promoveu uma troca de experiências vital para o setor. O dono da casa de carnes consegue dar o feedback sobre o que o cliente final está buscando, enquanto o produtor explica os desafios e os processos necessários para atingir aquele padrão.
Essa foi a primeira vez que o encontro foi realizado em solo paranaense, estado que possui uma pecuária forte e tecnificada. A escolha de Paranavaí não foi por acaso, já que a região é um importante polo produtor e tem investido cada vez mais em genética de ponta para abastecer tanto o mercado interno quanto as exportações.
A mensagem final do evento foi clara: a carne de qualidade começa na mente do pecuarista, no momento em que ele decide quais animais manter em seu plantel. A profissionalização da gestão e o uso inteligente da genética são os caminhos sem volta para quem deseja se manter competitivo em um mercado cada vez mais exigente e globalizado.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br
