Duas semanas após um homem ameaçar “pegar” uma menina de 4 anos por meio de um walkie-talkie de brinquedo, a investigação policial continua em andamento. O caso, que gerou forte repercussão e apreensão familiar, aguarda a conclusão da perícia técnica no aparelho para esclarecer a dinâmica da interferência e tentar identificar o autor das falas intimidatórias.
De acordo com o delegado André Mocciaro, diretor da Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca), os trabalhos investigativos seguem ativos. A polícia já ouviu testemunhas essenciais para o caso, incluindo a mãe da menina, uma empresária de 30 anos que registrou em vídeo o momento em que o indivíduo se comunicou com o equipamento infantil.
O contato e a identificação do lobo cinzento
O episódio ocorreu durante a noite, quando o radinho de brinquedo, que capta frequências abertas, começou a transmitir vozes estranhas dentro da residência. No registro feito pela mãe, o suspeito utilizou frases de intimidação direcionadas diretamente à menor de idade, gerando pânico imediato na família.
“Ele falou assim: tu sabe com quem tá falando? Aí apareceu a voz de uma criança falando papai. Aí ele fala: não, você está falando com o lobo cinzento”, relatou a mãe, cuja identidade é preservada para proteger a menor. Conforme o relato da empresária, aquela não havia sido a primeira ocorrência estranha captada pelo equipamento, pois a criança já havia escutado falas desconexas anteriormente.
Investigação técnica e alcance do equipamento
O aparelho utilizado no caso é o modelo Walkie Talkie Guerreiras do K-Pop, comercializado pela empresa fabricante. O dispositivo foi recolhido pelas autoridades policiais para análise detalhada de sinal e frequência. Procurado pela imprensa, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) ainda não divulgou uma previsão oficial para a finalização do laudo técnico.
Um dos pontos centrais de preocupação para os responsáveis e para a apuração policial é a limitação técnica do produto. Segundo as especificações presentes no manual de instruções, o rádio possui um alcance máximo de 500 metros, o que indica que a transmissão pode ter partido de alguma residência nas imediações do imóvel da família.
Impacto emocional e posicionamento oficial
O trauma psicológico gerado na vítima tornou-se uma das maiores preocupações após o incidente. A mãe relatou que a menina ficou profundamente assustada com as falas do desconhecido, passando a apresentar medo excessivo e insegurança até mesmo para realizar tarefas simples em casa, como ir ao banheiro sozinha.
O caso foi formalmente registrado na delegacia no dia seguinte ao ocorrido, mobilizando as autoridades de proteção à infância. A empresa responsável pela comercialização do brinquedo já se manifestou anteriormente por meio de nota oficial sobre o funcionamento técnico de seus produtos de comunicação por rádio frequência.

