duas trabalhadoras brasileiras foram homenageadas internacionalmente pela organização das nações unidas para a alimentação e a agricultura em uma cerimônia realizada em roma, na itália. luena maria ferreira dos santos, conhecida como luena pataxó, e joana rodrigues mousinho integraram o grupo seleto de cem mulheres do mundo inteiro reconhecidas por suas contribuições vitais para os sistemas agroalimentares, a segurança alimentar e o desenvolvimento rural sustentável.
a premiação destacou trajetórias marcadas pela resiliência, pela defesa dos territórios tradicionais e pela luta incansável pela inclusão social de comunidades marginalizadas. as brasileiras representaram a força da pesca artesanal do país, demonstrando como o trabalho cotidiano nas águas impacta diretamente a nutrição e a economia de milhares de famílias.
trajetória de luta e liderança indígena
luena pataxó carrega uma história de profunda conexão com o mar e com a cultura de seu povo desde a infância, período em que ajudava os pais na limpeza de pescados no extremo sul da bahia. após ficar viúva, direcionou sua atuação para a cata de camarões e assumiu um papel central na organização coletiva da categoria.
atualmente, ela preside o comitê de relacionamento de pescadores da região e lidera iniciativas fundamentais, como a criação do grupo de trabalho indígena nacional no âmbito do plano nacional da pesca artesanal. em seu discurso de agradecimento na capital italiana, luena ressaltou que a produção de alimentos saudáveis depende diretamente da preservação das águas e do reconhecimento dos saberes ancestrais.
pioneirismo e defesa dos direitos no nordeste
a pernambucana joana rodrigues mousinho, de setenta anos, construiu uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à pesca artesanal no canal de santa cristina, localizado no município de itapissuma, em pernambuco. joana fez história ao se tornar a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores na região, além de ser uma das pioneiras a obter o registro geral da atividade pesqueira no brasil.
sua atuação ultrapassou os limites locais com a fundação da articulação nacional das pescadoras, movimento determinante para conferir visibilidade jurídica e social às mulheres que atuam no setor. o protagonismo de joana já havia sido reconhecido nacionalmente em dois mil e vinte e quatro, quando recebeu o prêmio mulheres das águas concedido pelo ministério da pesca e aquicultura.
reconhecimento global à sustentabilidade
a iniciativa da organização internacional buscou dar visibilidade a cem lideranças femininas cujos esforços diários garantem a sustentabilidade ambiental e a resiliência de comunidades em zonas rurais e costeiras. a presença de representantes do brasil no evento reforça a importância estratégica da pesca de pequena escala para combater a fome e promover práticas econômicas que respeitam os limites ecológicos dos ecossistemas aquáticos.
as homenagens evidenciam que o papel exercido por essas trabalhadoras vai muito além da extração de recursos, consolidando-as como pilares fundamentais na construção de políticas públicas voltadas para a segurança alimentar global e a justiça social.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

