Pesquisa quaest acirra disputa e traz incerteza para apostas do mercado

Pesquisa quaest acirra disputa e traz incerteza para apostas do mercado

Economia

A bolsa brasileira começou esta quarta-feira em alta, mas perdeu o fôlego ao longo da manhã e passou a cair. Há pouco, o Ibovespa recuava 0,22%. No radar dos investidores, a nova pesquisa Quaest trouxe ingredientes para uma reta final de eleição com mais indecisões do que gostariam aqueles que apostam na vitória de Flávio Bolsonaro.

O senador aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% de Luiz Inácio Lula da Silva. A distância, que era de dois pontos na semana passada, passou para um. Os candidatos continuam tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

Mas os detalhes do levantamento ajudam a dimensionar a incerteza que cerca a votação de domingo. O medo do retorno da família Bolsonaro ficou numericamente acima do temor de uma reeleição de Lula, a rejeição ao petista caiu e a indecisão aumentou na pergunta espontânea.

O medo da volta dos bolsonaro

Na nova rodada, 44% dos entrevistados dizem temer mais o retorno da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% têm mais medo de outro mandato de Lula. Na pesquisa anterior, divulgada em 14 de outubro, os dois grupos estavam empatados em 43%. É a primeira vez desde agosto que o temor da volta dos Bolsonaro aparece numericamente à frente.

A diferença é pequena, mas ganha relevância quando observada junto a outros indicadores do levantamento, especialmente a rejeição. A parcela dos eleitores que dizem não votar em Lula de jeito nenhum caiu de 53% para 47%. A rejeição a Flávio também recuou, mas em intensidade menor, de 54% para 52%.

Com isso, a distância entre as rejeições aumentou de 1 para 5 pontos percentuais. Lula manteve seus 44% das intenções de voto, mas passou a enfrentar uma resistência menor — o que pode abrir espaço para buscar eleitores, sem garantir que essa redução será convertida em votos.

A surpresa entre os independentes

Outro sinal de indefinição aparece na pesquisa espontânea, em que os entrevistados respondem sem ouvir os nomes dos candidatos. Nessa modalidade, Lula e Flávio estão empatados em 40%, enquanto os indecisos passaram de 7% para 14% em uma semana.

O que cresceu da rodada anterior foi a indecisão. Dobrou, destacou Felipe Nunes, diretor da Quaest, em sua análise do levantamento. Entre os eleitores independentes, o movimento foi ainda mais acentuado: a indecisão saltou de 13% para 31%. Na avaliação do professor, esse grupo reúne eleitores menos vinculados ideologicamente aos candidatos e terá papel decisivo no domingo.

Nunes interpreta o avanço como um sinal de descontentamento com as opções e com a campanha negativa. Entre as mulheres, os dois candidatos perderam intenção de voto espontânea, e a indecisão chegou a 17%. Há ainda outro componente de imprevisibilidade: 10% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar o voto.

Onde a quaest identifica uma possível mudança

Apesar desses movimentos, Nunes ressalta que o cenário geral permanece estável. A retenção dos votos do primeiro turno continua elevada já que Flávio conserva 94% dos eleitores que declaram ter votado nele, enquanto Lula mantém 95%.

O sinal de possível mudança identificado pelo diretor da Quaest está entre os beneficiários de programas sociais. Nesse segmento, a vantagem de Lula aumentou de 29 para 37 pontos percentuais. Esse também é o grupo em que mais cresceu o medo do retorno da família Bolsonaro. Entre os beneficiários do Bolsa Família, o temor passou de 58% para 63%, enquanto o receio de uma reeleição de Lula caiu de 29% para 23%.

Bolsa sente o baque

A combinação de rejeição menor a Lula, avanço da indecisão e mudança nos temores dos eleitores oferece elementos para questionar a segurança das apostas em Flávio. Mas não permite afirmar que a eleição mudou de direção.

Para o investidor, o ponto é a incerteza. Uma eleição ainda aberta aumenta o risco de posições montadas com base em um único resultado. A Quaest ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, entre 17 e 20 de outubro. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08535/2026.

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Fonte: seudinheiro.com