Petrobras avança mais de 6% e ameniza recuo do Ibovespa após semana de realização

Petrobras avança mais de 6% e ameniza recuo do Ibovespa após semana de realização

Economia

Após renovar patamares recordes nos dias anteriores, o principal índice acionário da bolsa brasileira passou por um movimento expressivo de realização de lucros. Pressionado pelo aperto nas projeções financeiras internacionais, avanço das cotações energéticas e incertezas sobre o cenário fiscal no Brasil, o Ibovespa encerrou a semana em baixa de 1,7% cotado aos 205.430 pontos. Em dólares, o tombo foi ainda mais intenso, recuando 3,5% diante do avanço da moeda americana, que voltou a superar a barreira de R$ 5 e encerrou negociada a R$ 5,07.

Apesar da retração do índice geral, o setor de óleo e gás atuou como amortecedor das perdas. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) avançaram mais de 6% ao longo dos cinco pregões, descolando-se do mau humor predominante na B3 e atraindo o fluxo comprador de investidores atentos ao mercado de commodities.

Tensões no exterior e pressão sobre a inflação americana

O principal estopim para o movimento de cautela global partiu de Washington. O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos, métrica monitorada de perto pelo Federal Reserve para a condução da política monetária, registrou avanço de 0,33% em setembro, número que superou a expectativa do mercado. No acumulado de 12 meses, a inflação subjacente acelerou para 2,6%.

O dado reforçou apostas de que a autoridade monetária norte-americana poderá endurecer sua postura em relação aos juros já no encerramento de outubro. Taxas de juros elevadas por mais tempo nos EUA costumam enxugar a liquidez direcionada a mercados emergentes, enfraquecendo moedas como o real e direcionando recursos para ativos considerados mais seguros no mercado global.

Frente doméstica combina ruído político e fraqueza na atividade

No cenário interno, os participantes do mercado financeiro assimilaram uma série de estatísticas desfavoráveis. Indicadores econômicos de serviços e varejo apresentaram números abaixo das projeções iniciais, confirmando a desaceleração da economia do país.

Em paralelo, o ambiente político trouxe ruídos extras com a reta final da disputa eleitoral presidencial, na qual levantamentos recentes apontam vantagem para a oposição encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL) diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pautas de alto impacto sobre o orçamento da União, como discussões acerca do fim da jornada 6×1 e a implantação de tarifa zero no transporte metropolitano, aumentaram os prêmios de risco exigidos pelos agentes econômicos.

Disparada do petróleo impulsiona Petrobras e petroleiras privadas

Enquanto as companhias ligadas ao mercado interno sofriam revisões negativas, as petroleiras navegaram na contramão. O esfriamento da trégua energética no conflito entre Rússia e Ucrânia, somado a novos ataques perpetrados por grupos Houthis em rotas marítimas estratégicas no Golfo, reacendeu temores de desabastecimento internacional.

Diante desse quadro geopolítico, o barril de petróleo tipo Brent registrou valorização de cerca de 6,2% no intervalo semanal, encerrando cotado próximo a US$ 109,7. O impulso elevou os papéis do segmento na bolsa brasileira:

  • Prio (PRIO3) despontou no topo das valorizações com forte alta de 8,8%;
  • Petrobras PN (PETR4) valorizou-se 6,6% no período;
  • Petrobras ON (PETR3) registrou ganho semanal de 5,4%;
  • Ambev (ABEV3) também figurou entre os destaques, subindo 5,3%.

O segmento de alimentos e bebidas liderou os ganhos setoriais com expansão de 3,1%, seguido de perto pelo ramo de óleo, gás e petroquímica, com 1,7% de valorização.

Setores de construção civil e transporte sofrem fortes quedas

Na outra ponta da tabela, companhias muito dependentes de crédito e atividade local sofreram as maiores perdas da semana na B3. Ações da Vamos (VAMO3) despencaram 17,3%, enquanto incorporadoras como Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) recuaram 14,6% e 12,7%, respectivamente.

As prévias operacionais das construtoras não empolgaram os analistas e a perspectiva de juros elevados por período prolongado castigou os modelos de negócios intensivos em financiamento. Com a taxa Selic em 13,75% e projeções do Boletim Focus sugerindo corte para 13,25% até o encerramento do ano, os investidores preferiram diminuir a exposição em papéis de varejo e consumo.

Para a próxima semana, o mercado financeiro voltará suas atenções para a divulgação do IPCA-15 e os dados do PIB da China, indicadores vitais para a calibragem dos preços de commodities e dos fluxos globais de capital. O ConexRS segue acompanhando as principais movimentações econômicas do Brasil e do mundo, oferecendo leituras equilibradas e apuração rigorosa para orientar o leitor diante das transformações do mercado.

Fonte: seudinheiro.com