A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido formal para a abertura de um inquérito destinado a apurar possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A solicitação, protocolada no dia 24 de julho de 2026, foi distribuída nesta quarta-feira (29) ao ministro André Mendonça, a quem caberá decidir sobre o início das investigações.
Foco da investigação no setor de cannabis medicinal
O cerne da apuração policial reside em suspeitas de irregularidades na autorização para a comercialização de produtos à base de canabidiol. Segundo informações obtidas, a Polícia Federal investiga se houve interferência indevida em programas vinculados ao Ministério da Saúde. O inquérito busca esclarecer se o filho do presidente teria utilizado sua proximidade com o poder para favorecer interesses comerciais privados no setor farmacêutico.
Além de Lulinha, o pedido de investigação aponta a participação da empresária Roberta Luchsinger e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, amplamente conhecido como Careca do INSS. Este último encontra-se sob custódia do Estado desde setembro de 2025. A suspeita dos investigadores é que o grupo tenha atuado em benefício da empresa World Cannabis, que possui vínculos diretos com o lobista.
Conexões com o gabinete presidencial
Um dos pontos que mais chamam a atenção no documento da Polícia Federal é a menção a contatos entre os investigados e servidores públicos, incluindo membros do gabinete da Presidência da República. A PF busca determinar se o tráfico de influência teria ultrapassado os limites do Ministério da Saúde, alcançando instâncias superiores do Poder Executivo para facilitar trâmites regulatórios ou comerciais.
Até o momento, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva e o Palácio do Planalto optaram por não se manifestar sobre o pedido de inquérito. Em ocasiões anteriores, os advogados de Lulinha negaram categoricamente qualquer participação do empresário em negociações, investimentos ou associações com a World Cannabis. A defesa chegou a confirmar, em março de 2026, que o filho do presidente teve despesas de uma viagem a Portugal custeadas pelo lobista Careca do INSS, mas sustentou que não houve contrapartida ilícita.
Repercussão e defesas dos envolvidos
Roberta Luchsinger, por sua vez, declarou anteriormente que sua relação com o caso limitou-se a uma consultoria prestada ao lobista na área de canabidiol, afirmando que a apresentação de Careca a Lulinha ocorreu estritamente em um contexto social. Ela reforçou que seu contrato não previa a comercialização de substâncias. Por outro lado, em depoimento prestado à CPI do INSS no ano passado, Careca do INSS defendeu a legitimidade de seus negócios, alegando que seu patrimônio é resultado de trabalho dedicado e honesto.
O desenrolar deste caso deve movimentar os bastidores de Brasília nas próximas semanas, à medida que o ministro André Mendonça analisa os elementos apresentados pela Polícia Federal. A relevância do tema toca em pontos sensíveis da administração pública e na transparência das relações entre o setor privado e o alto escalão do governo federal.
O Conexrs segue acompanhando o desdobramento desta investigação e os próximos passos do Poder Judiciário. Mantenha-se informado com a nossa cobertura completa sobre política, economia e os fatos que impactam o Brasil, sempre com o compromisso de levar até você uma análise precisa e contextualizada dos acontecimentos mais importantes do cenário nacional.
Fonte: redir.folha.com.br
