A Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de uma expressiva manifestação política neste domingo (11), reunindo milhares de apoiadores em um ato pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O evento, que ocupou um dos principais cartões-postais do país, contou com a presença do próprio candidato, que utilizou o espaço para reforçar suas propostas de campanha e convocar a militância para a reta final do segundo turno das eleições presidenciais.
A mobilização, autodenominada “Marcha Pela Democracia”, destacou-se pela diversidade de seus participantes. A organização do evento foi conduzida por uma coalizão plural que incluiu movimentos sociais tradicionais, coletivos estudantis e a presença marcante de fandoms — comunidades digitais de fãs de artistas pop como Taylor Swift, Beyoncé, BTS e Lady Gaga. Além disso, o ato agregou torcidas organizadas de clubes de futebol e representantes da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, evidenciando uma estratégia de campanha que busca dialogar com diferentes segmentos da sociedade civil.
A agenda legislativa como termômetro eleitoral
Em entrevista concedida antes de subir ao carro de som posicionado em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), Lula classificou a semana que se inicia como decisiva para o pleito. O presidente focou seu discurso na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala de trabalho 6×1, prevista para ocorrer no Senado na próxima quarta-feira (14).
Lula utilizou o tema para confrontar diretamente o seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), e a bancada de oposição. O petista questionou a postura dos parlamentares contrários à medida, sugerindo que o debate sobre a redução da carga horária de trabalho serve como um divisor de águas para que o eleitor identifique quais forças políticas priorizam a qualidade de vida do trabalhador e quais buscam manter o modelo atual de descanso semanal.
Críticas ao “tesouraço” e propostas de segurança
Durante sua fala, o candidato à reeleição voltou a atacar o plano econômico proposto por seu oponente, apelidado pelo petista de “tesouraço”. Lula argumentou que a política de cortes de gastos defendida por Flávio Bolsonaro poderia resultar em uma precarização severa dos serviços públicos e dos direitos sociais, comparando a medida a gestões que, segundo ele, priorizam o ajuste fiscal em detrimento da proteção aos mais vulneráveis.
Na área da segurança pública, o presidente defendeu a aprovação da PEC que institui o Ministério da Segurança Pública. Segundo Lula, a mudança constitucional é fundamental para permitir que o governo federal atue de forma mais incisiva no combate à criminalidade organizada, garantindo maior proteção aos territórios e às comunidades, enquanto reforça o rigor penal contra infratores.
Memória e mobilização contra a abstenção
O discurso de Lula também revisitou o período da pandemia de covid-19, com críticas contundentes à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O candidato relembrou episódios da crise sanitária, reforçando o contraste entre sua plataforma de governo e o legado da administração anterior. O petista também projetou metas ambiciosas para a educação, visando ampliar significativamente o número de brasileiros com diploma universitário no mercado de trabalho.
Preocupado com os números do primeiro turno, Lula dedicou parte de sua fala ao combate à abstenção, que atingiu 21,08% do eleitorado. Ele fez um apelo direto aos eleitores, especialmente aos idosos acima de 70 anos, cujo voto é facultativo, para que compareçam às urnas no dia 25 de outubro. O presidente enfatizou que a participação cívica é o mecanismo principal para definir os rumos do país nos próximos anos.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

