Autor de 'Como as Democracias Morrem' critica postura antiliberal do PL e ascensão de Flávio Bolsonaro

Autor de ‘Como as Democracias Morrem’ critica postura antiliberal do PL e ascensão de Flávio Bolsonaro

Política

O cientista político Steven Levitsky, autor do livro ‘Como as Democracias Morrem’, comentou recentemente sobre o cenário político brasileiro, destacando a ascensão de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026. Segundo Levitsky, o sucesso de Bolsonaro reflete uma insatisfação generalizada com o atual status quo representado pelo PT de Lula.

Insatisfação com o status quo

Levitsky aponta que a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno não é surpreendente, considerando a tendência global de rejeição aos governos incumbentes. Ele destaca que, desde a pandemia, 74% dos governos em democracias ocidentais não conseguiram se reeleger. No Brasil, a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 é um exemplo dessa tendência.

Para Levitsky, a insatisfação dos eleitores não significa necessariamente uma inclinação autoritária, mas sim um desejo de mudança em relação ao status quo. “Parte desse eleitorado está votando contra o status quo”, afirma o professor de Harvard.

O espectro político atual

O cientista político observa que o eixo político tradicional de esquerda, centro e direita está sendo substituído por uma divisão entre liberalismo e antiliberalismo. No Brasil, Levitsky critica o PL (Partido Liberal), descrevendo-o como amplamente iliberal. “É um erro de nomenclatura chamá-lo de Partido Liberal”, comenta.

Essa tendência não é exclusiva do Brasil. Levitsky menciona que a Alemanha, com o partido AfD, e os Estados Unidos, sob um presidente antiliberal, também refletem essa mudança global em direção ao autoritarismo.

Desafios para a democracia

Levitsky alerta para os riscos de a defesa da democracia se tornar uma questão partidária. Ele acredita que para a democracia estar segura, todos os partidos devem abraçá-la, o que, segundo ele, não está acontecendo no Brasil atualmente.

O cientista político também critica a estratégia do PT em relação às eleições, apontando a falta de atenção para a fragilidade da busca pela reeleição. Ele menciona o exemplo dos Estados Unidos, onde a campanha de reeleição de Joe Biden enfrentou dificuldades, culminando na vitória de Donald Trump.

Repercussões e perspectivas

A análise de Levitsky sobre o cenário político brasileiro e internacional traz à tona questões importantes sobre o futuro das democracias. A ascensão de líderes antiliberais e o descontentamento com o status quo são fenômenos que exigem atenção e reflexão.

O Brasil, assim como outras democracias, enfrenta o desafio de equilibrar a vontade popular com a manutenção de princípios democráticos. A discussão sobre liberalismo e autoritarismo continuará a ser central nos debates políticos futuros.

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Fonte: redir.folha.com.br