Sub-representação de parlamentares negros no Brasil persiste, aponta estudo

Sub-representação de parlamentares negros no Brasil persiste, aponta estudo

Direitos humanos

A presença de parlamentares negros na Câmara dos Deputados do Brasil continua aquém do esperado, segundo análise da cientista política Evelyn Apolinária. A recente redução de 139 para 135 parlamentares pardos e pretos não é apenas um dado estatístico, mas um reflexo de uma sub-representação persistente, destaca a pesquisadora.

Desigualdade na representação política

Evelyn Apolinária, professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub), enfatiza que a questão central não é a perda de quatro cadeiras, mas a contínua desigualdade na representação. Apesar de negros representarem cerca de metade das candidaturas e da população brasileira, eles ocupam pouco mais de 25% das cadeiras na Câmara.

Dos 135 parlamentares eleitos no último pleito, 77 foram reeleitos. A pesquisadora aponta que as desigualdades no acesso a recursos de campanha e estruturas partidárias ainda são barreiras significativas para uma representação mais equitativa.

Incentivos insuficientes

As regras de incentivo, como a distribuição proporcional dos fundos de campanha, não têm sido suficientes para diminuir essa disparidade. “As estruturas partidárias e o financiamento de campanhas ainda favorecem grupos já estabelecidos”, afirma Evelyn.

Impacto do racismo nas agendas legislativas

A federação formada por União Brasil e Progressistas foi a que mais elegeu parlamentares negros, com 32 cadeiras. No entanto, Evelyn Apolinária ressalta que a presença de parlamentares negros não garante uma agenda legislativa unificada contra o racismo. “A representação por raça e cor não assegura uma agenda coesa”, explica.

Ela observa que a atuação antirracista tende a se concentrar em partidos de esquerda e centro-esquerda, o que pode limitar o impacto em um Congresso mais inclinado à direita.

Desafios futuros no Congresso

Com um Congresso mais à direita, há uma tendência de redução na agenda de novos projetos de combate ao racismo e ampliação de políticas afirmativas. O resultado do segundo turno presidencial também pode influenciar a relação entre Executivo e Legislativo, impactando a pauta da igualdade racial.

A presença da bancada negra e sua atuação no colégio de líderes são vistas como fundamentais para manter esses temas em discussão, mesmo em um cenário adverso. “Há um risco de menor prioridade e maior conflito, mas não de ausência garantida de pautas”, conclui a pesquisadora.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br