Witzel desiste da corrida ao governo fluminense e declara apoio a Garotinho

Witzel desiste da corrida ao governo fluminense e declara apoio a Garotinho

Política

Aliança estratégica na corrida ao Palácio Guanabara

Em uma movimentação que altera o xadrez político fluminense, o ex-governador Wilson Witzel (Democrata) anunciou, neste sábado (1º), a retirada de sua pré-candidatura ao Governo do Rio de Janeiro. A decisão visa consolidar uma aliança com o também ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), unindo forças em uma tentativa de polarizar a disputa eleitoral e alcançar o segundo turno.

O objetivo central da coligação é enfrentar o atual presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), na corrida por uma vaga na etapa final do pleito. Segundo as projeções das pesquisas de intenção de votos, o cenário aponta para uma liderança consolidada do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), o que impulsionou a necessidade de aglutinação entre as candidaturas de direita para evitar a fragmentação dos votos.

Motivações políticas e o peso do capital eleitoral

Witzel justificou a desistência citando a estrutura partidária. Segundo o ex-juiz, o Democrata — legenda que passou por um processo de reconstrução após deixar de ser o antigo PMB — enfrenta limitações de acesso ao fundo partidário, o que dificultaria uma campanha competitiva. “Se tivermos três, quatro candidatos da direita fragmentados, ficamos sem saber quem vai ao segundo turno”, argumentou.

Apesar do apoio, o ex-governador descartou compor a chapa como vice. Ele afirmou ter apresentado um conjunto de propostas voltadas às áreas de economia, segurança pública e políticas sociais durante uma reunião com Garotinho na última sexta-feira (31). A oficialização do apoio deve ocorrer durante a convenção do Democrata.

Histórico de embates e convergência de narrativas

Um dos pontos mais curiosos da nova aliança é a narrativa de vitimização compartilhada. Witzel, que foi afastado do cargo em 2020 sob acusações de irregularidades na gestão da saúde, traçou um paralelo com a trajetória de Garotinho, que enfrentou quatro prisões preventivas ao longo de investigações criminais. “Nós fomos injustiçados. Temos uma história de injustiça”, declarou o ex-juiz.

É importante notar que a situação jurídica de ambos difere no momento. Enquanto os processos contra Garotinho que resultaram em prisões foram anulados pelo Poder Judiciário, Witzel ainda responde a quatro ações penais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, segundo observadores, têm apresentado um ritmo lento de tramitação.

Oposição ao governo estadual atual

A decisão de Witzel também carrega um forte componente de oposição ao atual grupo político no poder. O ex-juiz reiterou que não cogitaria apoiar Douglas Ruas, devido à proximidade deste com o atual governador Cláudio Castro (PL). Witzel classificou o governo estadual como um projeto que se originou a partir do que chamou de “traição” ao seu próprio mandato, mencionando investigações contra integrantes da atual gestão.

Com a nova configuração, a chapa de Garotinho busca recuperar fôlego após a perda do apoio do DC (Democracia Cristã), que optou por integrar a base de Eduardo Paes. A expectativa agora é sobre quem ocupará a vaga de vice, com o Democrata mantendo a possibilidade de indicar um nome caso as negociações avancem.

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Fonte: redir.folha.com.br