O mercado internacional de algodão encerrou o mês de setembro com um recuo nas cotações, refletindo o embate entre o avanço da colheita e a dinâmica das exportações norte-americanas. De acordo com dados compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o contrato com vencimento em dezembro de 2026 na Bolsa de Nova York (ICE) fechou o período com uma desvalorização de 1,42%.
A média das cotações atingiu 85,23 centavos de dólar por libra-peso até o dia 24 de setembro, ante os 86,46 centavos registrados no mês anterior. Embora tenha havido uma leve recuperação nos últimos pregões, o movimento não foi suficiente para compensar a pressão exercida pela oferta global mais elevada e pelos fatores macroeconômicos que influenciam o setor.
O papel das exportações dos Estados Unidos
Os Estados Unidos, um dos principais players do mercado global, têm buscado sustentar os preços por meio de um volume expressivo de embarques. Na safra 2026/27, o país já acumulou 265,09 mil toneladas de algodão exportadas, um salto de 32,19% em comparação ao mesmo período da temporada anterior. Esse desempenho foi impulsionado por preços mais competitivos, que atraíram compradores estratégicos como México, Vietnã, Paquistão e Índia.
Apesar do avanço, analistas apontam que o ritmo atual ainda exige cautela. Os compromissos totais de exportação — que somam embarques realizados e vendas pendentes — atingiram 1,03 milhão de toneladas, o que representa cerca de 40,99% da meta estipulada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a temporada.
Desafios para atingir as metas da safra
O grande desafio para os produtores americanos reside na velocidade das novas vendas. Para atingir a projeção oficial do USDA, o setor precisaria comercializar, em média, 32,97 mil toneladas por semana. No entanto, a média das últimas três semanas ficou em 27,26 mil toneladas, sinalizando que a demanda externa, embora firme, ainda precisa ganhar tração para evitar novas quedas nas cotações internacionais.
A pressão da oferta, potencializada pelo avanço da colheita, atua como um contrapeso natural. Enquanto a colheita avança, o mercado monitora de perto as condições das lavouras e a capacidade de absorção da demanda asiática, que permanece como um termômetro fundamental para a sustentação dos preços nos próximos meses.
Perspectivas para o mercado internacional
O cenário para o restante do ano permanece misto. A volatilidade na Bolsa de Nova York reflete a incerteza dos investidores quanto à capacidade de a demanda internacional absorver o aumento da oferta disponível. A combinação entre o volume de estoques e o ritmo de escoamento da produção será o fiel da balança para definir se o algodão encontrará um piso de sustentação ou se enfrentará novas correções negativas.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br

