O consumidor brasileiro tem sentido no bolso o impacto da forte valorização do limão nos últimos meses. Em um movimento de alta acentuada, o preço da fruta no atacado registrou um salto de 374% em um intervalo de apenas quatro meses, impulsionado por uma combinação de fatores climáticos adversos que comprometeram a oferta no mercado nacional.
Impacto climático e quebra na produção
A instabilidade nos preços reflete diretamente as dificuldades enfrentadas pelos produtores no campo. Segundo especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o limão possui uma volatilidade histórica superior à de outras culturas, mas o cenário atual é classificado como precário devido a condições meteorológicas atípicas.
O excesso de chuvas registrado no início do ano prejudicou severamente a florada, etapa fundamental para garantir o volume da colheita. Além da redução na quantidade, a umidade elevada e o aumento de dias nublados afetaram a qualidade dos frutos e dificultaram as operações de colheita nas principais regiões produtoras, concentradas principalmente no cinturão cítrico paulista.
Números da crise no cinturão cítrico
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) detalham a dimensão da escalada de preços. No cinturão cítrico de São Paulo, responsável por cerca de 80% da produção nacional, o valor pago ao produtor pela caixa de 27,2 kg subiu de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto. Esse movimento representa um aumento acumulado de 226,4% no período.
Nas centrais de abastecimento, o reflexo foi ainda mais expressivo. No Ceagesp, em São Paulo, o quilo da fruta saltou de R$ 1,82 em maio para R$ 8,62 no pico de setembro. Já na CeasaMinas, em Belo Horizonte, a variação foi de R$ 2,50 para R$ 8,50, consolidando uma alta de 240% no entreposto mineiro.
Competição de mercado e perspectivas
Além das questões climáticas, a pressão sobre os preços é alimentada pela disputa entre o mercado interno e o externo. O Brasil destina aproximadamente 11% da sua safra para exportação, com foco principal no mercado europeu. Somado a isso, o aumento da demanda interna durante os meses de calor intenso em agosto e setembro contribuiu para reduzir os estoques disponíveis.
A expectativa de normalização dos valores está atrelada à chegada da nova safra, prevista para o final do ano. Embora tenha havido uma leve retração nos preços no Ceagesp na última semana, especialistas alertam que a tendência de estabilidade ainda é incerta. O pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Cepea/Esalq, ressalta que o impacto no volume de produção pode ter desdobramentos que se estenderão para o próximo ano, exigindo atenção constante do setor.
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Fonte: canalrural.com.br

