A qualidade dos grãos ganhou um peso determinante na formação dos preços do trigo no Sul do Brasil. Com parte da safra nova registrando dificuldades para atender integralmente às exigências da indústria moageira, os compradores mantêm uma postura bastante seletiva nas negociações. Essa dinâmica resulta na sustentação das referências para os lotes superiores, ao mesmo tempo em que amplia consideravelmente a distância em relação ao cereal de menor padrão.
De acordo com o analista Thiago Oleto, da Safras & Mercado, o ambiente comercial encerra o período com baixa liquidez e operações pontuais. Além disso, o avanço gradual da colheita e as interrupções frequentes provocadas por chuvas e temporais influenciam diretamente a disponibilidade imediata de produto nas principais praças produtoras, ditando o ritmo compassado dos negócios no campo.
Diferenciação de preços e impacto no Paraná
No estado paranaense, a escassez de trigo classificado como Tipo 1, apresentando peso hectolitro de PH 78, atua como o principal sustentáculo para as indicações de venda. As referências chegam a alcançar marcas expressivas para o padrão exigido pelas indústrias locais, refletindo a necessidade de matéria-prima qualificada para a produção de farinhas destinadas ao consumo humano.
Em contrapartida, lotes com parâmetros inferiores — como PH 75 e Falling Number de 200 — registram patamares financeiros substancialmente menores no mercado físico. A disparidade de valores se aprofunda ainda mais nos lotes com PH 73, evidenciando que as características físicas e reológicas de cada lote tornam-se decisivas para fechar acordos com os compradores industriais.
Avanço da colheita e cenário no Rio Grande do Sul
No território gaúcho, as atividades de campo encontram-se em estágio inicial, concentrando-se de forma pontual em áreas específicas como a região das Missões. Para o trigo Tipo 1 com PH 78, as indicações refletem a alta seletividade dos moinhos, enquanto o mercado da safra velha lida com divergências pontuais nas expectativas entre vendedores e compradores.
- Negociações isoladas para a safra nova ocorrem na modalidade FOB.
- O aproveitamento industrial esbarra em restrições técnicas em algumas lavouras.
- Níveis elevados de desoxinivalenol exigem rigor na segregação dos volumes.
- A exigência por qualidade restringe o leque de opções para a moagem direta.
Reflexos no mercado de ração animal
A expressiva diferença de qualidade também repercute de maneira clara no mercado voltado para a alimentação animal, segmento conhecido como feed. Os valores praticados para o cereal destinado a rações distanciam-se de forma marcante das cotações observadas para o trigo de padrão superior voltado à panificação e à indústria alimentícia humana.
As variações envolvem prazos e condições logísticas distintas, mas ilustram com nitidez a segmentação imposta pela oferta restrita de grãos nobres. Segundo especialistas do setor de inteligência de mercado, a qualidade continuará a figurar entre os principais vetores na precificação durante todo o transcorrer da entrada da safra regional.
Desafios logísticos e tributários
Em outras praças produtoras, a exemplo de Minas Gerais, as indicações oscilam conforme a modalidade de entrega e a distância dos centros consumidores. Fatores como os custos de transporte rodoviário e a incidência de tributos acabam dificultando as operações comerciais interestaduais, limitando a fluidez entre diferentes estados produtores.
Diante desse cenário complexo, o ritmo da colheita, a proporção exata de lotes que atingem os padrões industriais exigidos e a eficiência logística seguem como os pilares determinantes para a comercialização do trigo brasileiro. A cautela dos moinhos garante um ambiente onde apenas os produtores com grãos de excelência conseguem negociar em patamares mais elevados.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br

