O cenário do mercado internacional de alimentos apresentou uma nova escalada de preços em setembro de 2026. Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o índice global de preços dos alimentos atingiu 136 pontos, consolidando uma alta de 1,5% em relação a agosto e um avanço acumulado de 6% no período de um ano. A movimentação reflete um desequilíbrio entre a oferta e a demanda global, com o setor de grãos e o mercado de adoçantes liderando a pressão inflacionária.
Impacto dos cereais no mercado internacional
O grupo dos cereais foi o principal responsável pela elevação do índice, registrando um aumento de 5% em setembro e uma variação anual expressiva de 17%. O trigo, item fundamental na dieta global, subiu 6% no mês, atingindo o maior patamar de cotação desde agosto de 2023. Especialistas apontam que a combinação de dificuldades logísticas na região do Mar Negro e condições climáticas adversas na América do Norte restringiu a disponibilidade do produto, elevando os custos para importadores.
O milho seguiu uma trajetória semelhante, com alta de cerca de 6%, alcançando o maior nível em mais de três anos. O movimento foi impulsionado por uma safra abaixo das expectativas nos Estados Unidos e pela redução na oferta exportável do Brasil. Outros cereais, como o sorgo, registraram valorizações ainda mais acentuadas, com alta mensal de 14%, enquanto a cevada e o arroz subiram 3,9% e 1,4%, respectivamente.
Açúcar e óleos vegetais em rota de alta
Além dos grãos, o mercado de açúcar apresentou uma valorização de 6% em setembro, atingindo o maior nível desde abril de 2025. Na comparação anual, o produto acumula um aumento de 15%. O cenário é agravado pela alta nos óleos vegetais, que subiram 0,9% no mês e 18% no acumulado de doze meses, impulsionados principalmente pela valorização do óleo de palma. O óleo de soja, por sua vez, manteve estabilidade, sustentado pela demanda constante do setor de biocombustíveis.
Movimentos de baixa e estabilidade
Nem todos os segmentos acompanharam a tendência de alta. Os preços internacionais das carnes recuaram 1,1% em setembro, refletindo uma queda nas cotações das carnes de aves e suínos. O setor de lácteos manteve-se praticamente estável, com uma variação negativa de apenas 0,1%. Esses movimentos atuaram como um contrapeso, limitando uma elevação ainda maior do índice geral da FAO.
A volatilidade nos preços é alimentada por entraves no comércio internacional e pela incerteza quanto aos custos de insumos essenciais, como fertilizantes e combustíveis. A pressão sobre os fretes internacionais continua sendo um fator crítico para a formação de preços, impactando diretamente a inflação alimentar global. O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos do mercado de commodities e como essas variações impactam a economia real e o cotidiano dos consumidores. Continue conosco para mais análises sobre o cenário econômico mundial.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br

