O monitoramento dos níveis de colesterol não deve ser uma preocupação exclusiva da terceira idade. Em alusão ao Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado neste sábado (8), especialistas reforçam que a estratégia de combate às doenças cardiovasculares precisa ser iniciada precocemente, ainda na infância. A recomendação ganha força diante de estudos recentes que sugerem a dosagem da substância logo aos 10 anos de idade.
Renato Jorge Alves, vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), enfatiza que a prevenção é a ferramenta mais eficaz para evitar complicações graves. Em entrevista, o especialista defende que o exame de colesterol seja integrado ao check-up de rotina, acompanhado da dosagem de glicose, permitindo um diagnóstico precoce de possíveis anomalias metabólicas.
A importância da intervenção precoce e o combate à desinformação
Um dos pontos mais críticos abordados pelo cardiologista é a resistência ao tratamento medicamentoso, muitas vezes alimentada por conteúdos sem base científica nas redes sociais. O médico alerta que a interrupção do uso de estatinas — medicamentos fundamentais para o controle do colesterol — é uma prática perigosa. Assim como no manejo da hipertensão e do diabetes, a suspensão da medicação provoca o rápido retorno dos níveis de gordura no sangue a patamares de risco.
O especialista critica a disseminação de falácias que colocam em dúvida a eficácia das estatinas. Segundo ele, as evidências científicas que sustentam o uso desses fármacos são robustas e consolidadas há mais de três décadas, com o primeiro grande estudo publicado em 1994. O uso correto desses medicamentos tem demonstrado, de forma consistente, a redução significativa na incidência de infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e mortes por causas cardiovasculares.
Riscos da dieta carnívora e o impacto dos ultraprocessados
A alimentação desempenha um papel central no controle metabólico, mas o cardiologista faz um alerta sobre modismos alimentares. A chamada dieta carnívora, que exclui completamente alimentos de origem vegetal, é desaconselhada pela SBC. Por ser excessivamente rica em gordura saturada, essa prática pode elevar perigosamente o colesterol LDL, conhecido como o “colesterol ruim”, além de aumentar o ácido úrico e favorecer a formação de placas nas artérias.
Para uma saúde cardiovascular plena, a recomendação é o equilíbrio entre proteínas, carboidratos e gorduras saudáveis. O foco deve ser a redução drástica de gorduras trans, presentes em ultraprocessados como biscoitos recheados e salgadinhos, e a moderação no consumo de carnes vermelhas e embutidos. Embora a dieta e a atividade física — sugerindo-se de 150 a 300 minutos semanais — sejam pilares fundamentais, o médico lembra que cerca de 70% do colesterol é produzido pelo próprio organismo, o que torna o acompanhamento médico indispensável em casos de origem genética.
Hipercolesterolemia familiar e o cenário de risco
A atenção especial deve ser voltada à hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que pode elevar os níveis de colesterol a patamares críticos ainda na infância. Em casos extremos, a obstrução das coronárias pode ocorrer precocemente, exigindo intervenção médica imediata. O diagnóstico precoce, nestas situações, é o fator determinante para aumentar a expectativa e a qualidade de vida do paciente.
Além da genética, a obesidade se consolida como um fator de risco crescente. O excesso de peso não apenas sobrecarrega o metabolismo, mas mantém o corpo em um estado de inflamação crônica, o que desestabiliza as placas de gordura nas artérias. O Conexrs segue acompanhando as orientações das autoridades de saúde para trazer informações precisas sobre prevenção e bem-estar. Continue conosco para se manter atualizado sobre os temas que impactam a sua saúde e a sociedade.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
