Queda dos juros na bolsa: BTG Pactual identifica setores com potencial de alta

Queda dos juros na bolsa: BTG Pactual identifica setores com potencial de alta

Economia

O otimismo que tomou conta da bolsa brasileira após o recente ciclo eleitoral pode estar longe de atingir o seu ápice. De acordo com uma análise estratégica do BTG Pactual, o movimento de recuo nas taxas de juros de longo prazo — que cederam cerca de 140 pontos-base na última semana — cria um ambiente favorável para a valorização de ativos que possuem maior sensibilidade ao cenário doméstico. A tese central do banco sugere que, embora o mercado já tenha reagido positivamente, ainda existe espaço para uma reprecificação significativa em setores específicos da B3.

O impacto da curva de juros no valor das empresas

Para os especialistas do BTG, o próximo impulso das ações brasileiras não depende necessariamente de uma melhora drástica nas projeções de lucro das companhias, mas sim da própria dinâmica do custo de capital. Quando as taxas de juros de longo prazo comprimem, o mercado tende a aceitar pagar múltiplos mais elevados pelas mesmas empresas, um fenômeno conhecido como re-rating. Essa mudança de percepção é o motor que pode sustentar a continuidade do rali nos próximos meses, caso a trajetória de queda dos juros se consolide de forma sustentável no país.

Rede D’Or segue como destaque no setor de saúde

Entre as recomendações do banco, a Rede D’Or (RDOR3) permanece como a principal escolha no setor de saúde. Mesmo após a valorização recente, a ação ainda é negociada a cerca de 16 vezes o lucro projetado para 2027, um patamar que representa um desconto de aproximadamente 15% em relação à média histórica de 19 vezes observada desde a aquisição da SulAmérica. A combinação entre fundamentos operacionais sólidos e a alta sensibilidade da companhia aos juros longos coloca o papel em uma posição estratégica para capturar novos ganhos.

O BTG Pactual também mantém uma visão positiva para a Bradesco Saúde (SAUD3). Embora a redução dos juros possa impactar a receita financeira no curto prazo, os analistas avaliam que esse efeito é limitado. Com a ação sendo negociada a aproximadamente 8 vezes o lucro estimado para 2027, o múltiplo atual é visto como atrativo, deixando margem para uma valorização à medida que o cenário macroeconômico se estabiliza.

Potencial de expansão nas ações de educação

O setor de educação tem demonstrado ser um dos termômetros mais sensíveis às mudanças nas expectativas macroeconômicas. Empresas como Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3) registraram avanços expressivos de quase 20% desde a eleição, refletindo o alívio na curva de juros. Contudo, o BTG aponta que, ao negociar próximo a 6 vezes o lucro projetado para 2027, o setor ainda oferece espaço para expansão de múltiplos.

A continuidade desse movimento depende diretamente da consistência da política monetária e da manutenção da trajetória de queda das taxas. Para o investidor, o momento exige atenção à seletividade, priorizando companhias que conseguem aliar eficiência operacional com a capacidade de se beneficiar da redução do custo de capital. Para mais análises sobre o comportamento do mercado financeiro e os desdobramentos da economia nacional, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de referência em informação qualificada e atualizada.

Fonte: seudinheiro.com