Queda nos preços do farelo e óleo de soja em Chicago, mas dólar e demanda garantem estabilidade no Brasil

Queda nos preços do farelo e óleo de soja em Chicago, mas dólar e demanda garantem estabilidade no Brasil

Agro

Os preços do farelo e do óleo de soja apresentaram uma queda significativa na Bolsa de Chicago em agosto, influenciados pela expectativa de aumento do esmagamento e da oferta global. Entretanto, no Brasil, fatores como a valorização do dólar, a firmeza dos preços da soja em grão e a demanda pelos derivados têm sustentado as cotações no mercado interno.

Essa análise é parte do Agro Mensal, um relatório elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. O documento destaca que a produção global de óleos vegetais deve alcançar um novo recorde na safra 2026/27, mesmo que os estoques permaneçam praticamente estáveis.

Pressão sobre os preços em Chicago

A cotação média do farelo de soja na Bolsa de Chicago caiu para US$ 316,40 por tonelada em agosto, uma redução de 0,9% em relação ao mês anterior. Essa queda é atribuída principalmente à expectativa de crescimento do processamento de soja nos Estados Unidos, Brasil e Argentina. O aumento do esmagamento resulta em uma maior disponibilidade de farelo no mercado internacional.

Além disso, a previsão de uma safra volumosa nos Estados Unidos limitou os preços, mesmo diante da deterioração das condições das lavouras norte-americanas ao longo do mês. A retomada gradual dos embarques da Argentina também intensificou a concorrência entre os principais países exportadores.

Desempenho no mercado brasileiro

No Brasil, a situação é diferente. Em Rondonópolis, Mato Grosso, o preço médio do farelo de soja alcançou R$ 1.703 por tonelada, um aumento de 8,3% em relação ao mês anterior. Segundo o Itaú BBA, a valorização da soja em grão e do dólar elevou os custos de reposição das indústrias, fortalecendo a paridade de exportação. A demanda externa também foi um fator crucial para manter os preços internos.

Os embarques brasileiros de farelo de soja totalizaram 2,3 milhões de toneladas em agosto, um crescimento de 20% em comparação ao mesmo mês de 2025. Esse desempenho nas exportações ajudou a sustentar os preços no mercado interno, mesmo com a pressão observada na Bolsa de Chicago.

O cenário do óleo de soja

O óleo de soja, por sua vez, registrou uma cotação média de 68,9 centavos de dólar por libra-peso em Chicago durante agosto, uma queda de 3,4% em relação ao mês anterior. Após altas acumuladas anteriormente, os preços foram pressionados pela expectativa de aumento da produção, pela concorrência de outros óleos vegetais e pelas incertezas relacionadas às políticas de biocombustíveis.

O aumento do esmagamento de soja nos Estados Unidos tende a ampliar simultaneamente a oferta de farelo e óleo. No entanto, a demanda para a produção de biocombustíveis e a relação do óleo de soja com as cotações do petróleo continuam a atuar como fatores de sustentação, limitando perdas mais acentuadas.

Exportações e produção em alta

Apesar da queda em Chicago, o óleo de soja teve uma valorização no mercado brasileiro. Em Mato Grosso, o preço médio atingiu R$ 6.029 por tonelada em agosto, alta de 2,5% em relação a julho. Esse movimento foi impulsionado pela valorização cambial, pelo aumento do custo da soja e pela demanda interna voltada para a fabricação de biodiesel.

As exportações brasileiras de óleo de soja também mostraram um avanço significativo. Entre janeiro e agosto de 2026, os embarques chegaram a 1,6 milhão de toneladas, um crescimento de 41,8% em relação ao mesmo período de 2025. O volume acumulado nos primeiros oito meses do ano já superou as 1,4 milhão de toneladas exportadas durante todo o ano de 2025.

Perspectivas futuras

O balanço de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta para uma expansão da oferta global de óleos vegetais na temporada 2026/27. A produção conjunta dos principais óleos deve alcançar o recorde de 245,4 milhões de toneladas, superando as 239,8 milhões estimadas para 2025/26. O óleo de soja deverá liderar parte desse crescimento, com produção mundial projetada em 75,1 milhões de toneladas.

Entretanto, a produção de óleo de palma está estimada em 81,1 milhões de toneladas, com crescimento limitado pela menor disponibilidade exportável da Indonésia, que tem direcionado volumes maiores para a produção de biodiesel e consumo doméstico.

Mesmo com a produção recorde, os estoques globais dos principais óleos vegetais devem permanecer praticamente estáveis, próximos de 30,8 milhões de toneladas. O Itaú BBA destaca que essa expansão da oferta ainda não será suficiente para promover uma ampla recomposição dos estoques.

Nos próximos meses, o mercado deverá acompanhar de perto o ritmo de esmagamento nos grandes produtores, a demanda chinesa por soja e farelo, as políticas de biocombustíveis e o comportamento do petróleo. No Brasil, a combinação entre câmbio, exportações e o consumo de óleo de soja para biodiesel continuará sendo um dos principais fatores de sustentação dos preços.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br