O cenário ambiental brasileiro apresentou um alívio significativo em 2025, com uma redução expressiva na extensão de áreas atingidas pelo fogo. De acordo com a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pelo MapBiomas nesta terça-feira (21), o país registrou 12,7 milhões de hectares queimados. O número representa uma queda de 31% em relação à média histórica anual, que é de 18,4 milhões de hectares, e quase metade do total contabilizado no ano anterior.
Amazônia lidera queda enquanto Cerrado ainda preocupa
A mudança no panorama das queimadas foi impulsionada, em grande parte, pela performance da Amazônia. Após um 2024 marcado por recordes negativos, o bioma apresentou em 2025 a menor área queimada dos últimos 41 anos, totalizando 3,1 milhões de hectares. Esse recuo foi determinante para interromper a trajetória de expansão que vinha sendo observada nos anos anteriores.
Entretanto, o desafio ambiental permanece concentrado em regiões específicas. O Cerrado consolidou-se como o bioma mais afetado em 2025, com 8,7 milhões de hectares atingidos. Somados, Amazônia e Cerrado representam 86% de toda a área queimada no território nacional desde 1985, evidenciando uma pressão histórica constante sobre essas formações vegetais.
Desempenho regional e severidade do fogo
O comportamento do fogo variou drasticamente entre os biomas. O Pantanal, que em anos recentes enfrentou crises severas, registrou a maior redução proporcional, com 121 mil hectares queimados — uma queda de 85,6% frente à média histórica. Em contrapartida, a Caatinga foi a única região a superar a média, contabilizando 505 mil hectares atingidos pelo fogo.
O relatório introduziu novos indicadores de severidade, revelando que 64% das áreas queimadas no país tiveram impacto classificado como moderado ou baixo. Contudo, o cenário é mais crítico em biomas como Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, onde metade ou mais da área atingida apresentou severidade alta ou muito alta, indicando um dano mais profundo à biodiversidade local.
Ciclos de degradação e uso do solo
A recorrência das chamas é outro ponto de atenção levantado pelo estudo. Desde 1985, 64% das áreas queimadas no Brasil foram atingidas pelo fogo mais de uma vez. A frequência é preocupante: mais da metade dessas áreas voltou a queimar em um intervalo de apenas quatro anos. Na Amazônia, o ciclo é ainda mais curto, com 31,6% das áreas queimadas registrando novos focos em até dois anos.
O levantamento também detalha a ocupação dessas áreas. A maior parte do fogo, cerca de 71,5%, incidiu sobre vegetação nativa, enquanto 28,5% atingiram áreas de uso humano, como pastagens e agricultura. No recorte estadual, Mato Grosso, Pará e Maranhão permanecem no topo da lista histórica de áreas afetadas, com municípios como Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA) liderando o ranking de recorrência.
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Fonte: canalrural.com.br
