Rabobank fixa dólar em R$ 5,35 para 2026 e vê pressão na inflação

Rabobank fixa dólar em R$ 5,35 para 2026 e vê pressão na inflação

Agro

Cenário cambial e a reação do mercado pós-eleições

A valorização do real registrada após o primeiro turno das eleições melhorou a perspectiva de curto prazo para a moeda brasileira, mas não foi suficiente para alterar a projeção do Rabobank, que manteve o dólar cotado a R$ 5,35 no encerramento de 2026. No relatório intitulado Acomodação pós primeiro turno, divulgado em 14 de outubro, a instituição financeira destaca que as incertezas fiscais e o cenário externo continuam pesando nas análises.

Assinada pelos economistas Mauricio Une e Renan Alves, a avaliação aponta que o resultado nas urnas gerou uma reação favorável nos ativos do país, impulsionada pela expectativa de um ajuste fiscal mais ágil no próximo mandato presidencial. Com isso, a moeda norte-americana encerrou a semana de referência a R$ 4,9871, acumulando uma alta de 4,32% do real e alcançando o terceiro melhor desempenho entre 24 moedas emergentes monitoradas.

Pressões sobre o IPCA e o avanço da inflação

Apesar do alívio pontual no câmbio, o comportamento da inflação oficial acendeu novos alertas. O IPCA avançou 0,82% em setembro, superando tanto a expectativa do mercado quanto a projeção inicial da instituição, que apostava em uma alta menor. Com o resultado, o índice em 12 meses passou de 4,2% para 4,6%, ultrapassando o limite superior de tolerância da meta oficial.

Entre os nove grupos pesquisados, todos registraram alta no período, com maior impacto vindo do setor de habitação devido ao encarecimento da energia elétrica residencial. O grupo de alimentação e bebidas também voltou a subir após três meses de retração, puxado por variações expressivas em itens essenciais da cesta básica e hortifrútis, movimentos que o banco associa em parte aos reflexos iniciais do fenômeno El Niño.

Desempenho robusto do comércio exterior brasileiro

Em contraste com as pressões inflacionárias internas, o setor externo apresentou números bastante sólidos. A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 7,7 bilhões em setembro, superando a estimativa traçada pelo banco. No acumulado entre janeiro e setembro, o saldo positivo atingiu US$ 62,4 bilhões, representando um crescimento expressivo frente ao mesmo período do ano anterior.

O agronegócio teve papel central nesse desempenho, com destaque para o avanço nas exportações de soja, café não torrado e algodão em bruto. Por outro lado, o relatório apontou uma redução significativa nas importações de adubos e fertilizantes químicos, movimentando o planejamento estratégico para as próximas safras.

Projeções macroeconômicas consolidadas para 2026

Diante desse conjunto de fatores, o relatório reafirma projeções importantes para a economia brasileira. Para o encerramento deste ano, a instituição projeta o IPCA em 5,1%, a taxa Selic em 13,75% ao ano e um crescimento de 1,8% para o Produto Interno Bruto (PIB). Para o ano seguinte, as estimativas apontam desacidação da inflação e ajustes graduais na taxa básica de juros, compondo um cenário de cautela para o planejamento produtivo.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br